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Ekogaio

A Ekōgaio está a ajudar a regenerar as paisagens portuguesas a partir do seu centro, perto de Tomar

17 de julho de 2026

A Ekōgaio está a ajudar a regenerar as paisagens portuguesas a partir do seu centro, perto de Tomar

A Ekōgaio deve o seu nome ao gaio-comum, uma das grandes aves jardineiras das florestas. Um único gaio pode enterrar mais de 5.000 bolotas por ano, escondendo-as como reservas de alimento. Muitas nunca chegam a ser recuperadas, permitindo que novas florestas de carvalhos cresçam naturalmente. Ekō é a representação fonética da palavra inglesa “echo” — eco — e simboliza o impacto positivo e duradouro que as ações regenerativas podem ter nas paisagens, nas comunidades e nas gerações futuras.

Géraldine, francesa, e Bruno, português, conheceram-se na Tailândia durante um curso de permacultura. Mantiveram-se amigos e voltaram a encontrar-se várias vezes em França. Quando Bruno regressou a Portugal após a morte do pai, convidou Géraldine a juntar-se a ele.

O plano inicial era atravessarem África, aprendendo com os projetos regenerativos que visitassem e contribuindo para o seu desenvolvimento. Passaram quase dois anos a preparar o camião para a viagem, mas surgiu a Covid e a viagem nunca chegou a acontecer. Em vez disso, toda essa energia acabou por dar forma ao que é hoje a Ekōgaio.

Trabalham nas áreas da educação, consultoria, conceção e implementação de paisagens regenerativas, combinando permacultura, florestas alimentares, agrofloresta sintrópica, gestão ecológica da água e soluções naturais para aumentar a resiliência ao fogo e ao vento.

O seu centro, perto de Tomar, está gradualmente a transformar-se num espaço de demonstração e formação e, sujeito às necessárias aprovações, num futuro centro de interpretação da natureza.

“Estou totalmente convencido de que temos de nos envolver mais no trabalho com os municípios”, afirma Bruno. “Nas cidades, sofremos com o excesso de asfalto e a falta de plantas e árvores, enquanto nas zonas rurais assistimos à perda de biodiversidade. Queremos ajudar a mudar esta realidade.”

“Também trabalhamos com proprietários privados”, acrescenta Géraldine. “Desde a captação de águas pluviais e os sistemas de águas cinzentas até aos projetos regenerativos de pequena escala, cada projeto é diferente. Desde que começámos a construir a nossa própria casa, temos desenvolvido mais projetos privados, e gosto dessa diversidade.”

Cada novo projeto começa com um questionário detalhado, que abrange os objetivos do cliente, as características do local, a água disponível, os acessos, a vegetação existente, as condicionantes legais e as classificações ecológicas.

“Antes mesmo de visitarmos o terreno, queremos compreender tanto a visão do cliente como o potencial ecológico do local”, explica Bruno.

Um dos aspetos que, na sua opinião, distingue a Ekōgaio é o facto de o trabalho não terminar com a entrega de um projeto.

“Colocamos as mãos na terra, plantamos e regressamos”, diz Bruno. “Acompanhamos os projetos ao longo do tempo, aprendemos com eles e adaptamos a nossa abordagem. O design regenerativo não consiste apenas em produzir planos, mas em compreender como as paisagens evoluem.”

A Ekōgaio planta mais de 10.000 árvores em terrenos municipais no Crato

No Crato, no Alentejo, a Ekōgaio plantou mais de 10.000 árvores ao longo dos últimos quatro anos, com a ajuda de voluntários vindos de várias partes do mundo. O projeto começou com um pedido de ajuda dos organizadores do festival Waking Life, que corriam o risco de perder o terreno devido a uma deterioração da relação com o município.

“Passámos duas semanas a elaborar um relatório sobre o potencial da zona”, conta Bruno. “Que perda demográfica tem afetado a região? A população local continua a trabalhar? Qual é o panorama geral e qual é o contexto ambiental? Depois, apresentámos um plano ao município: cedam-nos 40 hectares de terreno e, em troca, criaremos um sistema educativo, trabalharemos com as escolas locais e com a Universidade de Évora, organizaremos almoços para promover a ligação com a comunidade e construiremos um lago.”

O objetivo da apresentação era beneficiar toda a região do Crato — e é isso que está a acontecer. O plano foi aprovado. Para além do trabalho de planeamento, a Ekōgaio ajudou a obter árvores gratuitamente, o município disponibilizou maquinaria e os organizadores do festival participaram na regeneração do terreno. Atualmente, cinco casais vivem no local como guardiões, organizando atividades, e uma parte dos lucros do festival foi destinada ao projeto.

Bruno explica: “A mentalidade das pessoas era: ‘Vamos perder este terreno.’ Mas não perdemos. É sempre necessário apresentar um projeto. Sobretudo em locais onde o declínio demográfico está a afetar a qualidade de vida das pessoas, onde a população está a envelhecer e não chegam pessoas novas ou jovens para criar emprego ou alternativas.

“Quando o presidente de uma câmara municipal recebe um projeto profissional, apoiado por muitas pessoas qualificadas e empenhadas em concretizá-lo… começamos a plantar, vemos as crianças das escolas a chegar, vemos as plantas a crescer e o lago a encher-se. A partir daí, torna-se quase impossível voltar atrás, porque todos estão a beneficiar. Qualquer pessoa pode ir até lá nadar ou fazer um piquenique.”

A Ekōgaio está a ajudar a regenerar as paisagens portuguesas a partir do seu centro, perto de Tomar
A Ekōgaio está a ajudar a regenerar as paisagens portuguesas a partir do seu centro, perto de Tomar
A Ekōgaio está a ajudar a regenerar as paisagens portuguesas a partir do seu centro, perto de Tomar