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Growers

A Grow reúne 90 comunidades fora da rede para visitar, ficar ou trabalhar

28 de agosto de 2026

A Grow reúne 90 comunidades fora da rede para visitar, ficar ou trabalhar

Fénix Stardust está a construir um negócio à volta de algo que conhece por experiência própria: a vida em comunidade. O seu projeto mais recente, a Grow, é uma plataforma criada para ligar pessoas a comunidades fora da rede, regenerativas e de vida natural, juntando num só sítio alojamento, eventos e trocas de trabalho.

A ideia nasceu do Spirit Tribe, uma comunidade de permacultura que Fénix criou em Portugal. Ao longo de três anos, o Spirit Tribe atraiu cerca de 2000 visitantes às suas quintas e eventos, com encontros que iam de um a cinco dias, como o Spiritfest e o Spirit Tribe Camp Out. O maior evento juntou cerca de 100 pessoas. O Spirit Tribe teve três casas: Vera, Alta Presença e Riversong.

Para Fénix, o Spirit Tribe nunca foi apenas organizar eventos. Era criar espaços onde as pessoas pudessem participar em vez de assistir. “Não tínhamos artistas, porque performance vem de ‘per’ mais ‘form’, ou seja, ‘a partir de uma forma’”, diz. Em vez disso, incentivava-se as pessoas a contribuir com as suas próprias competências, música e ideias.

A comunidade assentava na permacultura, na soberania alimentar, na comunicação consciente e na criação de um espaço seguro onde as pessoas se pudessem encontrar. “Desejo que as pessoas se sintam vistas e que cresçam”, diz Fénix.

A Grow nasceu da perceção de uma lacuna nas plataformas existentes. Fénix sentia que serviços como o Airbnb e o Workaway não respondiam por completo às necessidades das comunidades fora da rede, onde os anfitriões podem querer voluntários e hóspedes pagantes ao mesmo tempo. A Grow permite às comunidades anunciar alojamento e eventos e, ao mesmo tempo, encontrar voluntários. Para já, ligar um anfitrião a um voluntário é gratuito para ambos os lados. As reservas têm atualmente uma comissão de 15% para a Grow.

A plataforma está online desde setembro de 2025 e, à data da entrevista, tinha cerca de 90 comunidades listadas, a maioria em Portugal e algumas noutros países da Europa.

A Grow é gerida por Fénix e pelo seu sócio Joban. “Ele cria o produto e eu levo a mensagem”, diz Fénix. A ambição a longo prazo é maior: tornar a Grow uma plataforma global para quem procura viver a experiência de uma comunidade regenerativa. “Isto não é sobre mim nem sobre o Joban”, diz. “É sobre quem sentir ressonância em tornar este estilo de vida mais acessível.”

Reservou o primeiro voo que viu. Um voo para Faro

Fénix Stardust descreve a sua mudança para Portugal como algo que aconteceu mais por instinto do que por planeamento. Antes de chegar, tinha passado sete anos em Londres, como advogado e empresário na área da tecnologia. Tinha fundado duas empresas tecnológicas mas, apesar do sucesso profissional, diz que era infeliz.

“Não gostava da pessoa em que me tinha tornado”, recorda. “De cada vez que chegava ao topo da montanha, percebia que era apenas a base de outra montanha.”

O ponto de viragem chegou durante o período da COVID-19, em 2020. Fénix diz que começou a questionar a sua vida e o rumo da sociedade. Um dia, abriu o Skyscanner e reservou o primeiro voo que viu: Faro, Portugal. Não conhecia lá ninguém e não tinha plano nenhum. Três dias depois, estava num retiro de ioga.

“No dia seguinte à minha primeira experiência de respiração consciente, mandei uma mensagem ao meu sócio e disse-lhe: ‘Não volto para Londres. Fico em Portugal’”, diz.

Começou por passar um ano em Lisboa antes de se mudar para o campo. Numa quinta no centro do país, começou a nadar em quedas de água frias, a passar tempo na natureza e a conhecer-se de outra maneira. Com o tempo, convidou outras pessoas para a quinta, e desses encontros nasceu o Spirit Tribe.

A sua motivação está também ligada à infância. Fénix foi criado apenas pela mãe durante os primeiros sete anos de vida. O pai saiu de casa antes de ele fazer um ano. Diz que isso criou um forte desejo de ser visto e de ter sucesso. Essa vontade ajudou-o a construir uma carreira, mas hoje vê o outro lado disso.

“Gosto deste conceito de dharma: fazer algo em que sou bom, que me dá alegria e sentido e que alivia e eleva a comunidade à minha volta”, diz.

Hoje, o trabalho com a Grow e o Spirit Tribe reflete essa mudança. Em vez de procurar o sucesso só para si, quer criar espaços onde as pessoas se encontrem, aprendam competências práticas e conheçam outra forma de viver.

Para Fénix, Portugal tornou-se algo maior. “Nasci num hospital há 40 anos e voltei a nascer numa quinta em Portugal, acho eu”, diz.

A Grow reúne 90 comunidades fora da rede para visitar, ficar ou trabalhar
A Grow reúne 90 comunidades fora da rede para visitar, ficar ou trabalhar