Arroios abre 12 dos seus 44 canteiros a moradores jardineiros
A freguesia lisboeta de Arroios está a testar se os moradores cuidarão de pequenos espaços verdes públicos, começando por 12 locais. É também aqui que a Cultiva, a horta biológica que o Exército retirou de uma escola da Graça em setembro, tenciona recomeçar.

Desde 1 de outubro, qualquer pessoa com mais de 18 anos que viva, trabalhe, estude ou esteja recenseada em Arroios pode pedir para cuidar de um canteiro, de uma caldeira de árvore ou de um pequeno espaço verde perto de si. A junta de freguesia mapeou 44 destes locais num sítio na internet próprio. A adoção é gratuita e dura um ano, podendo ser renovada se a junta estiver satisfeita com a forma como o espaço foi cuidado. Não são permitidos pesticidas químicos, herbicidas nem espécies invasoras.
Até agora, só abriram 12 locais, e estão todos em análise neste momento. Os outros 32 estão assinalados como «brevemente». Manuel Banza, do gabinete da presidência da junta, disse-nos por escrito que esta primeira fase é um projeto-piloto. Os candidatos que escolheram um local e participem numa primeira sessão de acolhimento podem adotá-lo após uma visita ao local. As fases seguintes passarão pelo concurso com pontuação previsto no regulamento, em que 55 de 100 pontos dizem respeito ao que o jardim faz pelo bairro. «Queremos consolidar primeiro este processo e ver como funciona no terreno antes de alargar o programa a novos espaços», escreveu. Alguns candidatos já cuidam de uma parcela por iniciativa própria e querem oficializá-la.
A junta tem oito funcionários para todo o trabalho no espaço público, disse Banza. Uma empresa externa faz a manutenção da maioria dos seus jardins. Os adotantes recebem aconselhamento técnico, plantas onde o local precise delas, água de uma torneira pública onde exista e um compostor quando a junta o puder disponibilizar. O regulamento partiu de um trabalho do jardineiro lisboeta Nuno Prates e inspira-se no regulamento que a freguesia de Alvalade adotou em 2021.
Para hortas comunitárias, a junta selecionou terrenos maiores na Rua do Bombarda e junto ao Largo de Santa Bárbara, mas precisa de autorização da Câmara Municipal de Lisboa e ainda não a tem.
Arroios deverá também acolher uma horta que perdeu o seu terreno. A Cultiva, gerida pela cooperativa Rizoma, cultivava hortícolas com certificação biológica nas traseiras da Escola Gil Vicente, na Graça, desde 2024, e vendia-os na mercearia da Rizoma, nos Anjos. O Exército queria o terreno para um estaleiro de obras. A horta foi desmantelada a 12 de setembro, apesar de uma petição que, segundo a Rizoma, reuniu mais de 3300 assinaturas. Pelas contas da própria cooperativa, a horta produziu mais de 3000 kg de hortícolas, em 42 variedades, a partir de 250 m² de canteiros.
Se vive, trabalha ou estuda em Arroios e quer um local numa fase posterior, pode escrever à junta para geral@jfarroios.pt, que diz já ter recebido mensagens de moradores interessados. A secção agrícola da Rizoma recebe mensagens em agricola@rizomacoop.pt. A cooperativa também acolhe novos membros. Diz que a Cultiva vai recomeçar na Escola Secundária de Camões, em Arroios.
