Arroios transforma 3600 m² junto ao mercado num refúgio climático
A freguesia de Arroios, em Lisboa, vai acrescentar sombra, plantas e um bebedouro em redor do Mercado do Forno do Tijolo, com 80% do custo pago pelo Turismo de Portugal. É um dos três primeiros projetos financiados pelo fundo de 1 milhão de euros para refúgios climáticos do Turismo de Portugal.

A Junta de Freguesia de Arroios quer transformar o espaço em redor do Mercado do Forno do Tijolo num local onde as pessoas possam abrigar-se gratuitamente durante uma vaga de calor. A área tem cerca de 3600 m². O Turismo de Portugal, a entidade nacional do turismo, descreve-a como um espaço há muito dominado pelos automóveis, sem sombra, sem plantas e sem sítio onde ficar. O projeto acrescenta toldos de lona e pérgulas, mais vegetação, bancos e um bebedouro. Parte do pavimento impermeabilizado será levantada para dar lugar a plantações, e o restante receberá uma cor clara para absorver menos calor. A obra custa cerca de 75 000 €, e o Turismo de Portugal paga quase 60 000 € desse valor.
Arroios assinou o contrato a 13 de outubro, juntamente com Praia de Mira, onde três espaços serão equipados por cerca de 114 000 €, e com a área de serviço para autocaravanas de Valdujo, em Trancoso. Os três apoios somam cerca de 210 000 €. Até 21 de outubro tinham chegado 59 candidaturas desde que o fundo abriu em agosto, disse-nos Jorge Ambrósio, que dirige o departamento de comunicação do Turismo de Portugal. As restantes ainda estavam em análise, o que deixava cerca de 790 000 € para elas. Só as câmaras municipais e as juntas de freguesia se podem candidatar, e o apoio cobre 80% do custo, até 75 000 € por candidato. Não há data de encerramento, pelo que as candidaturas são aceites até se esgotar a verba, mas as obras têm de começar no prazo de oito meses após a assinatura.
Para integrar a rede Stay Cool, um local tem de ter entrada gratuita, sem necessidade de comprar nada, e estar aberto pelo menos das 11:00 às 17:00 nos dias mais quentes, ou durante mais tempo em situações de alerta de calor. Os espaços interiores têm de se manter entre 20 e 27 °C. Os exteriores precisam de sombra verdadeira e de algo que arrefeça o ar, como vegetação densa ou água. São também obrigatórios lugares sentados e água potável, e os candidatos assinam uma declaração de que o seu espaço cumpre os requisitos.
Espanha criou a sua rede de outra forma. Em julho, o Governo espanhol abriu mais de 180 edifícios do próprio Estado como refúgios, no âmbito de uma proposta de pacto nacional para a emergência climática. Vão abrir todos os anos de 15 de maio a 30 de setembro. Municípios, empresas e associações podem acrescentar os seus próprios espaços com base num guia nacional, e o mapa do ministério já mostra cerca de 1100. As regras portuguesas falam dos dias mais quentes, e não de datas fixas.
A rede portuguesa é mais ampla do que o fundo. A 21 de outubro tinha 228 refúgios registados, entre edifícios públicos e espaços privados abertos ao público, como o Goethe-Institut, em Lisboa. Hotéis, bibliotecas, museus e centros comerciais podem aderir ao selo Stay Cool, mas não recebem qualquer verba. O mapa em refugiosclimaticos.turismodeportugal.pt ainda não mostra todos os refúgios, porque cada registo tem de ser verificado primeiro. O Turismo de Portugal pretende melhorar tanto o sítio como o mapa antes do próximo verão.


