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Duas unidades de saúde portuguesas começam a prescrever caminhadas e aulas

A partir de outubro, os médicos de família perto do Porto podem encaminhar doentes para aulas de exercício e atividades culturais, de forma muito semelhante à prescrição de medicamentos. Em Barcelos, um ensaio está a acrescentar caminhadas, hidroginástica e dois cães de terapia ao tratamento da depressão.

27 de setembro de 2026

Duas unidades de saúde portuguesas começam a prescrever caminhadas e aulas

A partir de 1 de outubro, os médicos de família de três unidades de saúde familiar geridas pela ULS São João podem encaminhar doentes para atividades na sua própria comunidade. O projeto-piloto arranca na USF Valongo, na USF Barão Nova Sintra, no Porto, e na USF Alto da Maia, com as câmaras municipais do Porto, da Maia e de Valongo. As opções incluem pilates, oficinas de culinária e sessões de artesanato, e uma equipa dedicada ajuda cada doente a encontrar algo que lhe convenha.

O encaminhamento fica registado no processo clínico do doente, num sistema semelhante ao utilizado para medicamentos e exames. Destina-se a adultos com problemas de saúde estáveis e funciona em complemento dos cuidados médicos, não em sua substituição.

Em Barcelos, a unidade local de saúde iniciou um ensaio mais pequeno, chamado AtivaMente, para adultos com depressão. Entre 25 e 30 pessoas vão reunir-se três vezes por semana, até 10 de dezembro, para caminhadas, pilates, atenção plena, hidroginástica e jogos tradicionais. Dois cães treinados pela associação ÂNIMAS, o Salvador e a Lassie, participam em sessões de terapia assistida por animais.

Nenhum dos projetos tem ainda resultados. Barcelos vai avaliar o AtivaMente quando terminarem as 12 semanas. As notícias sobre o projeto-piloto de São João não dizem como será medido.

Alguns locais partem da paisagem e não do doente. Em julho, a Mata Nacional do Bussaco, perto do Luso, foi certificada como floresta terapêutica, a primeira da Península Ibérica. É também local de estudo do PhorestAll, um projeto de investigação cofinanciado pela UE e liderado pela Destinature, a agência de turismo de natureza do Fundão que preparou a certificação do Bussaco. Investigadores da Universidade de Coimbra vão medir a biodiversidade da floresta, a vida do solo e os compostos que as árvores libertam para o ar, e depois compará-los com dados de saúde dos participantes. O mesmo trabalho decorre na Eslovénia, na Polónia, na Lituânia e em Taiwan.

A vizinha Anadia assinou um acordo que permite aos seus residentes comprar o Cartão Amigos da Mata ao preço local de 20 euros por ano, com entrada gratuita de carro. A pé ou de bicicleta, a mata é gratuita para todos.

Segundo os Censos Sénior 2025 da GNR, o distrito da Guarda tinha 5852 idosos a viver sozinhos ou isolados, o número mais elevado do país. Um projeto local, o GuardAfetos, quer que o apoio domiciliário inclua companhia, além da alimentação, da higiene e da medicação.

Parte da resposta vem dos voluntários. A Velhos Amigos, fundada em Coimbra em 2009, leva aos idosos uma refeição ao fim de semana e alguma companhia. Em 2025, cerca de 350 voluntários, em 43 equipas, apoiaram 84 pessoas e entregaram 6929 refeições. O programa prevê abrir uma equipa no bairro dos Anjos, em Lisboa, e procura voluntários para essa e para outras cinco equipas.

No Sustainable Living
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