Saltar para o conteúdo principal
Neos Life

Não compra uma casa, compra uma aldeia

9 de julho de 2026

Não compra uma casa, compra uma aldeia

Nas paisagens ondulantes do Alentejo, uma visão audaciosa começa a ganhar forma. Nos últimos anos têm surgido por todo o país mais comunidades e aldeias sustentáveis, mas poucas carregam a ambição da NEOS, uma aldeia consciente de 410 hectares nascida dos sonhos de duas pessoas notáveis: Karen Aiyana Birch e Vincent Daranyi.

Para Vincent, tudo começou em 2017, quando, num seminário de desenvolvimento pessoal, teve de imaginar a sua vida ideal — e viu uma terra com pessoas, a evoluir e a estudar as formas humanas de ser. Em 2023, um encontro fortuito num aeroporto, no voo de regresso a Lisboa, fez tudo avançar. Vincent era o último da fila para embarcar quando uma mulher lhe tocou no ombro e perguntou: "É o Vincent?" Era leitora da sua newsletter e agente imobiliária. As probabilidades de aquilo acontecer eram mínimas, mas ali estava ela. Começaram a conversar e ela perguntou-lhe pelo seu sonho. Quando ele lhe disse que precisava de terra para o concretizar, ela respondeu apenas: "Eu encontro-lhe a terra." Três dias depois, enviou-lhe uma ligação. Na semana seguinte, ele pisou a terra e soube de imediato: é aqui.

As visões de Karen sobre uma nova forma de viver e sobre ecoaldeias já tinham começado quando era muito jovem, mas foram plenamente activadas em 2012, com um chamamento forte. Sem saber se estava destinada a criá-la ou a contribuir para algo que já existisse, acabou por perceber que outros projectos não reflectiam a sua visão. Em 2020 decidiu construir a "The New Earth School", uma plataforma online que oferece masterclasses e programas de formação profissional em cultura sustentável, enquanto esperava que a sua visão de aldeia encontrasse as peças que faltavam.

Quando ela e Vincent se conheceram, descobriram que as suas visões eram surpreendentemente compatíveis e, juntos, constroem agora a Neos Village e o Neos Center, duas metades da mesma visão. A parte sul da terra, 158 hectares, foi concebida para crescer até se tornar uma aldeia com 144 casas, feitas de materiais sustentáveis, com dimensões que variam entre T0 e T5. Haverá conjuntos de casas em torno de espaços comuns para encontros, estúdios criativos e para as crianças brincarem. Tudo está desenhado para que a ligação aconteça. Karen diz: "Queremos sublinhar que as pessoas não estão apenas a comprar uma casa isolada — estão a investir numa aldeia inteira, a ser criada para uma melhor forma de viver." Decidiram limitar o número de casas para que, mesmo no lote mais pequeno, se tenha a experiência de estar na natureza e não de olhar para uma parede ou uma sebe. A ideia é que as pessoas possam mudar-se para lá até ao final de 2028.

A parte norte da terra, 252 hectares, é o Neos Center, onde actualmente realizam retiros — por exemplo, o seu próprio retiro de quatro dias, a Neos Experience. Facilitadores convidados podem também alugar o espaço para acolher os seus próprios eventos. A visão mais ampla para esta área é um centro de cura e educação plenamente desenvolvido, para residentes e visitantes. O centro contará ainda com um restaurante, um centro de acolhimento com galeria e mercado de artesanato, um grande centro de conferências para 250 pessoas e alojamento.

Karen diz: "Idealmente, queremos tudo o mais integrado possível, para que alguns residentes possam trabalhar no Center. E esperamos também gerar emprego para a comunidade local aqui à volta."

A profundidade por trás do sonho

"Queremos que a NEOS seja um representante daquilo de que o planeta precisa neste momento. E isso significa sustentar aquilo que parecem ser opostos. Precisa de estar completamente ancorada em termos financeiros, ser estável e viável. E, ao mesmo tempo, tem de existir uma componente energética. Como uma nova cultura a ser criada, e uma inteligência em torno das pessoas que atravessam processos de cura e transformação, e de tudo o que isso significa", diz Karen.

O seu co-fundador, Vincent, acrescenta: "É como se este projecto trouxesse à superfície tudo aquilo em que ainda precisamos de evoluir enquanto seres humanos, porque a sua criação é uma verdadeira panela de pressão. Estamos a fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Desde preparar o espaço de retiros até à construção, ao plano director, à angariação de fundos, à construção de comunidade e à aldeia. Começámos a cultivar, temos 200 vacas que vieram com a quinta. E, além de tudo isto, os desafios das pessoas."

A ideia é começar programas em vida regenerativa, permacultura, competências de resolução de conflitos — todos estes aspectos de nos tornarmos um novo ser humano. E as pessoas podem ficar para fazer imersões residenciais de 6 ou 9 meses.

No próximo ano, 2027, arranca um programa de integração desenvolvido para os futuros aldeões, no qual as pessoas participarão em três retiros de vários dias para aprender competências essenciais de vida em comunidade. Assim, quando as pessoas começarem efectivamente a viver na terra, esperemos que até ao final de 2028, a comunidade já estará formada, as pessoas já se conhecerão e o conjunto de competências para criar uma vida em conjunto já estará desenvolvido.

Dizem: "A Neos Village é para pessoas que querem realmente ser pioneiras de uma nova forma de viver."

A nossa conclusão é que talvez seja uma antiga forma portuguesa de viver a ser remodelada para criar uma maneira mais sustentável de existir nestes tempos difíceis, em que nos esquecemos de tanta coisa sobre cuidar uns dos outros e do nosso belo planeta...

Karen diz: "Quando chegámos à propriedade, um dos membros portugueses da nossa equipa vivia aqui com a família na altura. Só queriam partilhar jantares connosco — ele e a família são pessoas muito gentis e com um forte sentido de comunidade, e isso é muito inspirador. Ajuda a abrirmo-nos e a aproximar as pessoas."

Numa nota final, Vincent diz: "Procuramos pessoas que estejam entusiasmadas por aprender e crescer em conjunto, que queiram criar comunidade, que estejam convencidas de que esta é uma melhor forma de viver e queiram fazer parte disso, e que digam: 'Hell, yes.''"

Não compra uma casa, compra uma aldeia