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Alentejo abre 50 caminhadas gratuitas e pergunta quem vai cuidar dos percursos

Nos dias 31 de outubro e 1 de novembro, câmaras municipais de todo o Alentejo vão conduzir 50 caminhadas guiadas gratuitas, uma das quais poderá terminar com uma observação ao telescópio, enquanto outra só começa depois de anoitecer. Dois dias antes, os organizadores reúnem-se em Gavião para discutir quem mantém abertos 2480 km de percursos pedestres nos restantes 363 dias.

17 de outubro de 2026

Alentejo abre 50 caminhadas gratuitas e pergunta quem vai cuidar dos percursos

O Alentejo Walking Festival é organizado pelo Turismo do Alentejo, a entidade regional de turismo, e cada caminhada é conduzida pela câmara local. É gratuito, mas é preciso inscrever-se em cada caminhada separadamente no site do festival antes das 17h30 de 28 de outubro. Cerca de 600 pessoas tinham-se inscrito até meados de outubro, disse-nos a organização. Há, portanto, muito espaço. A caminhada pelas dunas e poças de maré em Almograve, perto de Odemira, com uma bióloga marinha, tinha 20 lugares em vez dos habituais 50 e é a única que já está esgotada.

Lavre, perto de Montemor-o-Novo, caminha pelos sobreirais no sábado de manhã. A rota do azeite de Ferreira do Alentejo parte do Lagar do Marmelo no domingo, com autocarro a partir da estação rodoviária da vila. Portel espera até às 15h00 de sábado, para que os caminhantes na Amieira, junto ao lago do Alqueva, possam ficar para uma prova de medronho e, se o céu o permitir, uma observação ao telescópio. A caminhada do Alandroal parte às 21h00 de sábado. No domingo, Santiago do Cacém percorre a primeira metade de uma etapa da Rota Vicentina, de Vale Seco em direção ao Cercal, com autocarro a partir da câmara às 8h30.

Neste terceiro ano do festival, a organização contabiliza 795 pessoas em 2024 e 1280 em 2025, e sublinha que se trata de pessoas que efetivamente caminharam, não de inscrições. Vêm sobretudo do Alentejo, da área de Lisboa e do Algarve, segundo a organização, e aparecem regularmente espanhóis. Não existe uma contagem independente, e a organização não sabe dizer quanto gastam os caminhantes localmente, além de relatos das vilas sobre restaurantes e alojamentos mais movimentados. Os seus números não os distinguem dos outros visitantes.

A conferência em Gavião é sobre o resto do ano. A região tem 134 percursos homologados. «A criação de um percurso é apenas o primeiro passo», disse-nos Pedro Beato, vice-presidente do Turismo do Alentejo. «É necessário assegurar o seu acompanhamento regular, o que exige recursos, capacidade técnica e uma articulação eficaz entre as entidades responsáveis.» Esse trabalho cabe sobretudo às câmaras. No Alto Alentejo, a comunidade intermunicipal CIMAA lançou um procedimento para os serviços de manutenção da sua rede Feel Nature. O Turismo do Alentejo aderiu também ao Responsible Trails®, um sistema de auditorias que avalia a segurança, a conservação, a sinalética e a informação dos percursos e alerta os utilizadores para eventuais problemas. Um percurso só é reconhecido como Percurso Oficial Responsible Trails® com uma auditoria válida publicada, o que não dispensa a manutenção contínua pelas entidades gestoras.

Seja qual for a caminhada que escolher, repare nas pequenas riscas pintadas em muros, rochas e postes ao longo do caminho. Alguém teve de pintar cada uma delas. Na caminhada noturna do Alandroal, vai agradecer cada risca, e a quem tem de as manter visíveis.

No Sustainable Living
Rota Vicentina: 750 km de trilhos pedestres no sudoeste de Portugal, com manutenção voluntária dos percursos no outono.

Alentejo abre 50 caminhadas gratuitas e pergunta quem vai cuidar dos percursos
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