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Portugal tem 248 000 casas vazias em condições de habitabilidade

Portugal contabilizou 723 715 alojamentos vagos em 2021 e cerca de 248 000 estão em bom estado. As câmaras de Coimbra, Santa Cruz e Braga tentam, cada uma, uma forma diferente de devolver edifícios ao uso.

13 de setembro de 2026

Portugal tem 248 000 casas vazias em condições de habitabilidade

Portugal registou 723 715 alojamentos vagos nos Censos de 2021, contados separadamente das segundas habitações e casas de férias. Cerca de 248 000 estão em bom estado e fora do mercado de arrendamento, segundo o anexo sobre habitação da Comissão Europeia relativo a Portugal para 2026, que cita um estudo do instituto da habitação IHRU publicado em julho de 2025.

Vazio não significa disponível. A Comissão aponta casas presas em partilhas de heranças, casas que um proprietário guarda para um familiar e casas retidas enquanto o proprietário espera para vender. São questões de propriedade, e nenhuma obra as resolve.

O abandono é um obstáculo distinto, e Coimbra decidiu enfrentá-lo. A câmara enviou centenas de notificações a proprietários de edifícios degradados na Baixa, e a presidente Ana Abrunhosa disse à assembleia municipal, a 10 de setembro, que dez desses imóveis já iniciaram a reconstrução.

Santa Cruz, na Madeira, trabalha a partir de uma contagem. Ao apresentar a carta municipal de habitação, o engenheiro de planeamento urbano Pedro Ribeiro da Silva situou o número de edifícios vagos em 2300, ou 13% do parque habitacional local. Defendeu que a sua reabilitação poderia resolver a carência de habitação no concelho. Na Camacha, freguesia do mesmo concelho, o presidente da junta de freguesia, Ricardo Batista, pediu incentivos para recuperar casas abandonadas, de modo a que os jovens se possam fixar.

Em Braga, um projeto já abriu portas. A câmara municipal comprou a antiga Fábrica Confiança em 2012 por 3,6 milhões de euros. Um plano posterior para a vender a compradores privados deu origem a uma campanha de cidadãos e, em outubro de 2020, a fábrica de sabões e perfumes foi classificada como monumento de interesse público. A câmara era, assim, simultaneamente proprietária e promotora, o que eliminou o obstáculo com que Coimbra ainda se debate.

A fábrica encerrou em 2005 e não tinha sido utilizada desde então. Reabriu a 10 de setembro como residência de estudantes com 786 camas, distribuídas pelo edifício recuperado e por um bloco novo no mesmo terreno. A empreitada de construção foi adjudicada à empresa bracarense Grupo Casais por 25,51 milhões de euros. A Universidade do Minho estima o investimento total em mais de 29 milhões de euros, financiado pelo plano de recuperação e resiliência.

Manter uma estrutura sã evita parte do betão e do aço que uma substituição exigiria, bem como as emissões associadas ao seu fabrico. A Agência Europeia do Ambiente expôs esse argumento numa nota informativa de 2022 sobre reabilitação e economia circular. A poupança não é automática. A reabilitação também precisa de materiais e de energia, pelo que o que se evita depende de quanto do edifício se mantém.

Manter um edifício implica também saber se é seguro mantê-lo. O Governo diz que vai apresentar, até ao final de setembro, um quadro de avaliação da segurança sísmica em edifícios existentes, desenvolvido com o instituto de engenharia LNEC. O Algarve, o Alentejo Litoral, Lisboa e Vale do Tejo e os Açores são indicados como as zonas mais expostas.

Na Sustainable Living
Arquitetos e construtores que trabalham com edifícios existentes em vez de construção nova: Renovação e Reabilitação, sete projetos no Norte, em Lisboa e no Algarve.
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