Voluntários repararam 10 casas em Lagoa e Castro Marim este verão
Lagoa e Castro Marim pagaram as obras e a associação Just a Change assegurou a mão de obra, com cerca de 30 voluntários só nas obras de Castro Marim. No Funchal, onde as famílias receberam antes o dinheiro, a associação que o entrega diz que os construtores são caros e difíceis de encontrar.

Cinco famílias de Castro Marim, Odeleite, Junqueira e Montinho da Conveniência recuperaram as suas casas no final de agosto. Cerca de 30 voluntários tinham passado as semanas anteriores a repará-las, entre eles estudantes universitários, médicos, arquitetos e engenheiros, além de um grupo vindo de Espanha. Os serviços sociais da câmara escolheram as casas. A câmara pagou também os materiais, a logística e a remoção de resíduos, e é o segundo verão consecutivo em que o faz.
Lagoa fez o mesmo entre 31 de agosto e 12 de setembro, pagando 33 227,68 € por obras em cinco casas onde vivem 13 pessoas, sete adultos e seis crianças, segundo a câmara. Faro já acolheu três destes campos, em 2021, 2025 e 2026, e a câmara contabiliza 10 casas reparadas no conjunto dos três.
Os voluntários chegam através da Just a Change, uma associação de Lisboa fundada em 2010. Nestes campos, a câmara escolhe as famílias e financia as obras, por vezes com outros parceiros, enquanto a associação traz coordenadores, um técnico de obra e voluntários que ficam cerca de duas semanas. No ano passado, reparou 139 habitações particulares em 34 concelhos, o número mais elevado até hoje, e gastou 1,9 milhões de euros nesse trabalho. Isolou 92 delas. Em 2025, 15,6% das pessoas em Portugal afirmaram não ter capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida, contra 8,8% no conjunto da UE, segundo o inquérito às condições de vida do Eurostat.
No Funchal, a ajuda chegou em dinheiro. A Associação de Desenvolvimento de Santo António entregou mais de 100 mil euros a 40 famílias, 101 pessoas no total, para repararem as suas casas, noticiou o DNOTICIAS a 9 de outubro. O seu presidente, Marcelo Gouveia, terá afirmado que a procura está a aumentar e que os elevados custos da mão de obra e a falta de construtores qualificados estão a atrasar as reparações.
Os voluntários não colmatam essa lacuna sozinhos. O relatório anual da Just a Change relativo a 2025 refere que, durante os campos desse verão, teve de contratar empreiteiros externos para garantir que as obras previstas eram concluídas. Também pagou a sua operação no Minho com fundos próprios, porque não encontrou ali nenhuma câmara que a apoiasse. À exceção dos do Eurostat, os números aqui apresentados provêm das câmaras e da associação.
A Just a Change não tem um programa semanal no Algarve. Em Lisboa, Porto e Braga, está a receber inscrições para o Turn Up, o seu programa em dias úteis, para outubro e novembro. Escolhe-se um turno de quatro horas numa manhã ou tarde de um dia útil e regressa-se à mesma obra uma vez por semana durante um mês. Custa 5 €, para seguro, uma T-shirt e ferramentas. É preciso ter 18 anos ou mais, mas não é necessária experiência em construção, uma vez que cada equipa de cinco voluntários tem o seu próprio coordenador e um técnico de obra que orienta os trabalhos. A associação diz receber mais candidaturas do que vagas, pelo que as inscrições tardias ficam em lista de espera.
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