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15 de agosto de 2026

Bom dia. Hoje o oceano abre a edição — uma reserva do tamanho de um pequeno mar espera pelas suas regras — enquanto no interior as vinhas se vindimam mais cedo do que nunca e uma praia fluvial de Leiria se transforma em palco.

O mar, à espera das suas regras

Seis ONG querem o fundo do mar intocado

Seis organizações ambientalistas portuguesas, entre elas a Sciaena, a WWF Portugal e a ZERO, defendem que a futura Reserva Natural Marinha Dom Carlos precisa de mais do que a proibição do arrasto de fundo. Querem excluir todas as artes de pesca que tocam no leito marinho nos 173 mil quilómetros quadrados entre a Madeira e o continente, além de rastreio GPS inviolável, câmaras a bordo e observadores, com coordenação europeia e internacional para que as frotas estrangeiras também cumpram. A consulta pública recebeu 61 contributos, agora em análise.

Corais mais velhos do que as pirâmides

O que vive exatamente nesses 173 mil quilómetros quadrados? A investigadora Catarina Abril, da associação Sciaena, aponta cinco espécies emblemáticas: tubarões de profundidade vulneráveis às artes que tocam o fundo, tubarões migradores como o anequim, uma raia elétrica recentemente encontrada grávida em grande número no Banco Gorringe, tartarugas migradoras e corais negros com uma idade estimada até 4.200 anos. Quase todos são altamente sensíveis à destruição do fundo marinho — o que sustenta o pedido de proteção mais apertada.

Água, fogo e o que vem depois

Melgaço pede uso responsável da água

A Câmara de Melgaço alertou para o risco de falta de água no abastecimento público em algumas freguesias. O consumo disparou no verão com turistas, emigrantes de regresso, enchimento de piscinas e rega de jardins, ao mesmo tempo que as alterações climáticas baixam o nível dos lençóis freáticos: os reservatórios atingiram antes de meados de agosto valores habitualmente registados em setembro. Estão a ser feitos cortes noturnos para localizar e reparar fugas, incluindo ligações ilegais sem contador, os chamados tubos ladrão, e a autarquia redistribui água entre reservatórios, apelando à poupança para garantir necessidades básicas como beber e higiene.

Tondela estabiliza terreno ardido antes das chuvas

As intervenções de estabilização de emergência nos terrenos ardidos no incêndio de julho deverão arrancar em Tondela até final de setembro, com um custo aproximado de 177 mil euros e execução até junho de 2027. Baseadas num relatório do ICNF, incidem sobre linhas de água secundárias, passagens hidráulicas sob estradas e caminhos florestais e faixas de gestão de combustível, para reduzir a erosão e o arrastamento de materiais após a perda de vegetação. O fogo começou a 2 de julho em Vouzela, foi dominado a 5, e queimou 1.500 hectares na freguesia de São João do Monte e Mosteirinho. A câmara trabalha ainda com um investigador da Universidade de Aveiro.

Lis e Lena: entre o aceitável e o preocupante

A associação ambientalista Oikos recolheu amostras de água a 16 de junho em 18 pontos da bacia hidrográfica do rio Lis, para avaliar parâmetros biológicos e físico-químicos. Os resultados, divulgados na segunda-feira, oscilam entre valores aceitáveis e preocupantes. Destaca-se um contraste claro: o troço do rio Lena que atravessa Porto de Mós e a Batalha revelou-se menos poluído do que o troço que passa por Leiria.

Almaraz prolongada até 2030, e contestada

O Ministério espanhol para a Transição Ecológica prolongou até junho de 2030 a licença de exploração dos dois reatores da central nuclear de Almaraz, revertendo o plano anterior de encerramento faseado em 2027 e 2028. As proprietárias Iberdrola, Endesa e Naturgy tinham pedido formalmente a extensão em outubro de 2025. O Movimento Ibérico Antinuclear considera a decisão ilegal, por violar um acordo prévio entre as empresas e o Estado, e promete ações judiciais e protestos em Espanha e em Portugal, avisando que um acidente na central, junto ao Tejo e à fronteira portuguesa, poderia levar contaminação radioativa até Lisboa.

Dinheiro, redes e regras

APREN contesta IMI em torres e painéis

A APREN, associação portuguesa de energias renováveis, criticou uma circular da Autoridade Tributária que passa a considerar parques eólicos e solares, incluindo aerogeradores e painéis, como prédios industriais únicos sujeitos a IMI. A regra, formalizada a 27 de julho, substitui os critérios em vigor desde 2021, na sequência de um acórdão do Supremo Tribunal Administrativo. A APREN argumenta que o setor já suporta uma carga fiscal elevada, incluindo uma contribuição permanente sem paralelo na Europa, e avisa que a mudança agrava custos num setor central para a segurança energética e para as metas climáticas. Propõe compensar os municípios através da partilha de receitas, em vez de tributar equipamento produtivo.

1,3 milhões para espaços públicos no Alentejo rural

O programa Alentejo 2030 abriu um aviso com mais de 1,3 milhões de euros do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional para requalificar equipamentos coletivos e espaços públicos em territórios não urbanos: 787.050 euros para a reabilitação de equipamentos partilhados e 547.259 euros para a qualificação de espaços públicos. O objetivo é apoiar planos de ação das Parcerias para a Coesão Não Urbana, melhorando a qualidade ambiental, urbana e paisagística das comunidades rurais e reforçando acessibilidade, segurança e resiliência climática. As candidaturas decorrem em três fases, com o primeiro prazo a 30 de setembro.

57 bicicletários nas interfaces de Lisboa

Os Transportes Metropolitanos de Lisboa vão investir 1,36 milhões de euros ao longo de três anos na instalação de 57 bicicletários automatizados e de acesso controlado em 51 interfaces da área metropolitana, para ligar melhor a bicicleta aos transportes públicos. Lisboa recebe o maior número de unidades, 13, em pontos como Oriente, Sete Rios e Santa Apolónia. A maioria segue um modelo modular compacto com capacidade para 12 bicicletas cada, distribuído por 18 municípios, a que se juntam sete unidades personalizadas de maior dimensão e uma requalificação no terminal fluvial da Trafaria. O projeto integra o plano de atividades 2026-2029.

Aprender, fazer, restaurar

Vasos feitos de algas e cascas de mexilhão

O projeto AlgaeTech, liderado pela Moldes RP com a DEIFIL, o IPLeiria e a Aromáticas Vivas, está a desenvolver vasos biodegradáveis feitos de algas, cascas de mexilhão e outros subprodutos marinhos, em alternativa aos vasos de plástico de utilização única. Os investigadores caracterizaram nove espécies de algas portuguesas e extraíram polímeros como alginatos e carragenanas, passando agora à formulação de protótipos testados quanto à secagem e consistência. Os vasos pretendem ser biodegradáveis, retentores de água e até biocidas, e a DEIFIL vai ensaiá-los em plantas de oliveira e castanheiro obtidas por micropropagação, com uma avaliação de ciclo de vida a decorrer em paralelo.

Mestrado em agricultura biológica com dez instituições

A Universidade Politécnica de Viana do Castelo é a única instituição portuguesa no MaCao, um novo projeto Erasmus+ que está a desenhar um mestrado conjunto em agricultura biológica. O consórcio reúne dez instituições de ensino superior de nove países da Europa e da América Latina, coordenado pela Universidad Politécnica de Cartagena, em Espanha. Com financiamento europeu ao abrigo das Erasmus Mundus Design Measures, o programa pretende formar profissionais capazes de responder às alterações climáticas, à segurança alimentar e à sustentabilidade na agricultura. A fase de desenho académico deverá concluir-se no início do próximo ano, seguindo-se os procedimentos de acreditação.

Centro de Interpretação do Paul de Arzila vai ser reabilitado

A Câmara Municipal de Coimbra viu aprovada a candidatura ao Fundo Ambiental para a reabilitação do Centro de Interpretação da Reserva Natural do Paul de Arzila, garantindo 68.759,25 euros num investimento total previsto de 200 mil euros. O projeto insere-se no modelo de cogestão da reserva, com Condeixa-a-Nova, Montemor-o-Velho, o ICNF, a CCDR Centro e a associação Amigos do Paul de Arzila, e abrange obras físicas e atividades de educação ambiental. Uma candidatura complementar de Condeixa-a-Nova, para renovar a exposição interpretativa do centro, recebeu o mesmo montante. O Paul de Arzila é uma das zonas húmidas mais importantes do país.

Perto de casa

Uma manhã a arrancar erva-das-pampas no Lima

O MoLima, movimento pela defesa do rio Lima, convida o público a juntar-se, a 29 de agosto, no parque de merendas da Senhora das Areias, em Viana do Castelo, para uma ação de controlo da erva-das-pampas (Cortaderia selloana), espécie invasora que se espalha por dunas, encostas e margens ribeirinhas. A manhã começa às 9h30 com uma sessão de sensibilização sobre como identificar a planta e o seu impacto na flora nativa, seguindo-se o trabalho de remoção no terreno. A participação é aberta a todos, sem necessidade de experiência, com apoio da Câmara de Viana do Castelo e no âmbito do projeto LIFE COOP Cortaderia.

Um mergulho teatral no Agroal

O projeto Estações Efémeras regressa à praia fluvial do Agroal este domingo, 16 de agosto, a partir das 17h00, depois de duas semanas de residência artística. Organizada pela Leirena Teatro, a iniciativa cruza tradição local, património natural e envolvimento comunitário com profissionais das artes performativas. Participam membros de duas instituições de Ourém, o CRIF e o grupo de teatro amador da Casa do Povo de Fátima, ao lado de vários intérpretes convidados, sob direção artística de Frédéric da Cruz Pires. O projeto já tinha apresentado uma versão no mesmo local em 2024. A entrada é livre.

Santana apoia famílias, agricultores e uma banda

A Câmara Municipal de Santana, na Madeira, aprovou mais de 32 mil euros em apoios distribuídos por famílias, agricultores e associações recreativas. Quatro famílias recebem 1.500 euros cada ao abrigo de um apoio pré-natal. O financiamento aos agricultores, ligado à água de rega e à cultura do trigo, quase duplicou entre 2025 e 2026, passando de 6.000 para 10.500 euros, o que o presidente da câmara associa ao interesse crescente na produção de trigo para o pão tradicional de Santana. O Clube Recreativo Santanense e a Banda Municipal de Santana, esta a assinalar um aniversário, receberam também apoio.

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