Sistema volta ultrapassa 305 milhões de embalagens devolvidas
O sistema de depósito e reembolso volta, gerido pela SDR Portugal, já recolheu mais de 305 milhões de embalagens de bebidas desde o arranque, a 10 de abril. O número de devoluções triplicou nos últimos dois meses, depois de ter ultrapassado os 100 milhões em julho. Atualmente são devolvidas cerca de 5 milhões de embalagens por dia, cerca de 57 por segundo, através de uma rede com mais de 3.000 pontos automáticos, pontos manuais e quiosques dedicados. Sete dos doze quiosques já contratados estão em funcionamento, com mais cinco em implementação, num percurso que a SDR Portugal quer levar às 50 unidades em todo o país.
Organizações exigem que 5% das taxas de embalagens financiem reutilização
Oito organizações, entre as quais a Circular Economy Portugal e a ZERO, pediram à Secretaria de Estado do Ambiente e à da Economia que se estabeleça uma obrigação vinculativa de afetar pelo menos 5% das contribuições da responsabilidade alargada do produtor (RAP) de embalagens ao desenvolvimento de soluções de reutilização. A proposta surge a propósito do Regulamento europeu de Embalagens e Resíduos de Embalagens, que impõe metas obrigatórias de reutilização a partir de 2030, abrangendo restauração, bebidas para levar e comércio eletrónico. As organizações apontam o exemplo de França, onde um mecanismo semelhante mobilizou cerca de 167,9 milhões de euros entre 2023 e 2025, apoiando cerca de 300 milhões de embalagens reutilizadas em 2025, e propõem-se organizar uma reunião com a entidade gestora francesa Citeo.
Regras europeias de reciclagem têxtil levam à falência de recolhedores antes do financiamento
Desde janeiro de 2025 que a recolha seletiva de têxteis é obrigatória na União Europeia, mas o mecanismo de financiamento que a deve sustentar, através da responsabilidade alargada do produtor, só fica operacional em 2028. Operadores históricos como a Soex, a Texaid, o Le Relais e a Humana já entraram em insolvência ou reduziram drasticamente a atividade, apesar de terem recolhido mais material. Entretanto, os têxteis continuam juridicamente classificados como resíduo, sem critérios europeus de fim de estatuto publicados, o que afasta compradores industriais. Portugal ainda não transpôs a diretiva, não tem entidade gestora licenciada e a cobertura de recolha continua desigual, deixando um setor com quase 12 mil empresas, na maioria pequenas, sem saber com que regras e custos vai contar até 2028.
NOVA coordena projeto europeu de 7 milhões de euros para remanufatura
O Centro de Tecnologia e Sistemas UNINOVA-CTS, da NOVA FCT, coordena o Remanufacturing-X, projeto Horizon Europe com financiamento de cerca de 7 milhões de euros para acelerar a transição da indústria europeia para a remanufatura e a economia circular digital. Com 36 meses de duração, o projeto recorre a inteligência artificial, gémeos digitais e passaportes digitais de produto, com demonstrações em cinco setores: têxtil, alimentar, maquinaria industrial, marítimo e baterias. O lançamento decorre a 14 de setembro em Vila Verde, com a presença do Ministro da Agricultura e Mar, da presidente da câmara local e de um representante da Comissão Europeia. Um dos pilotos industriais é na cervejeira LETRA, que vai transformar subprodutos da cerveja em novos produtos alimentares e cervejas certificadas.
Concorrência aprova compra da RDUZ pela Pure Planet
A Autoridade da Concorrência (AdC) aprovou a compra conjunta da RDUZ – Gestão Global de Resíduos pela Jerónimo Martins, Visabeira Global e Black and Blue II – Ambiente e Energia, através da sociedade veículo Pure Planet. O regulador concluiu que a operação não é suscetível de criar entraves significativos à concorrência efetiva no mercado nacional. A RDUZ dedica-se à gestão, tratamento e valorização de resíduos de construção e demolição, perigosos e não perigosos, incluindo recolha, transporte e desmantelamento de equipamentos em fim de vida. A Pure Planet, sediada em Portugal, foi criada exclusivamente para servir de veículo a este tipo de investimentos conjuntos.