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A semana no Pulso · 3–9 de agosto de 2026

Após o julho mais seco, ganham forma respostas práticas

Portugal continental entrou em seca meteorológica após o julho mais seco do século, enquanto os incêndios danificaram culturas no norte. Esta semana mostrou também onde estão a ganhar forma respostas práticas: reparar redes de abastecimento de água, reforçar a rede elétrica, testar a vigilância florestal permanente e recorrer ao pastoreio para reduzir o material combustível. Persistem, no entanto, dúvidas sobre quem beneficia dos grandes projetos energéticos.

7 edições diárias · 141 histórias · 7 regiões

O que marcou a semana

A pressão sobre a água é visível a nível nacional e local. Após o julho mais seco do século, todo o território de Portugal continental está em seca meteorológica. No distrito de Leiria, o consumo aumentou quase 14% em cinco anos, enquanto as perdas ultrapassam 30% na maioria dos municípios. Na Madeira, permanece aberto até 28 de agosto um concurso de financiamento para renovar as redes, reduzir as perdas e alargar o abastecimento público. O panorama da eletricidade está a mudar, mas não é simples. Em julho, a energia solar liderou pela primeira vez o cabaz elétrico português, num mês em que as renováveis cobriram 53% do consumo. Um plano de 1,58 mil milhões de euros para a rede pretende aliviar os estrangulamentos nas ligações e prepará-la para o autoconsumo e a mobilidade elétrica. No entanto, a Quercus afirma que o estudo relativo a um parque eólico de 1 098 hectares, destinado a abastecer o centro de dados de Sines, subestima os impactos e deixa dúvidas quanto aos benefícios para os consumidores e as comunidades. Os incêndios fizeram sentir as pressões da semana ao nível das explorações agrícolas. Em Valpaços, as chamas destruíram vinhas, olivais e amendoais pouco antes da colheita. A Quinta do Sobreiró de Cima estima prejuízos de cerca de 1 milhão de euros e uma quebra de 50% na produção de vinho. A prevenção também está a ser testada: investigadores de Leiria estão a validar, com a GNR, drones de vigilância relançados continuamente, enquanto um pastor defende que o pastoreio pode eliminar material combustível como complemento ao combate convencional aos incêndios.

As histórias da semana

Água sob pressão

A seca abrange agora Portugal continental, enquanto o aumento do consumo e as fugas nas redes agravam a pressão local. Os dados de Leiria revelam a dimensão do problema de eficiência, e o concurso de financiamento da Madeira mostra como a renovação pode transformar a preocupação em trabalho concreto.

Portugal continental entra em seca meteorológica

Todo o território continental está em seca meteorológica depois do julho mais seco do século, marcado por uma onda de calor intensa entre 29 de junho e 11 de julho que estabeleceu novos extremos absolutos de temperatura. O IPMA nota que foi também o 7.º julho mais quente desde 1931, enquanto os Açores tiveram um mês frio e chuvoso e a Madeira calor e pouca chuva.

Consumo de água sobe mais do que a população no distrito de Leiria

O consumo na região cresceu quase 14% em cinco anos, enquanto as perdas na rede ultrapassam os 30% na maioria dos concelhos. A Nazaré, impulsionada pelo turismo, aproxima-se de um aumento de 20% e investe em novos reservatórios e na renovação da rede.

Madeira aposta na redução de perdas de água

O Programa Madeira 2030 lançou um aviso para projetos no Ciclo Urbano da Água, focado na redução de perdas, renovação de redes deficitárias e extensão do abastecimento público. As entidades da administração local e do setor público empresarial regional podem candidatar-se até 28 de agosto de 2026.

Uma rede mais exigente

O primeiro mês da energia solar no topo do cabaz elétrico assinala uma mudança concreta, e o investimento previsto na rede poderá viabilizar novas ligações. O contestado projeto eólico de Sines mostra também por que razão a capacidade renovável deve ser avaliada a par dos impactos e benefícios locais.

Solar lidera a produção nacional pela primeira vez

Os dados da REN mostram que em julho o solar foi, pela primeira vez, a principal fonte de eletricidade em Portugal, com as renováveis a cobrirem 53% do consumo. Nos primeiros sete meses do ano, garantiram 68%, num contexto de consumo a crescer.

O que o plano da rede significa para os consumidores

O PDIRD-E 2026-2030 canaliza 1,58 mil milhões de euros para a rede de distribuição em alta e média tensão, reduzindo constrangimentos à ligação de novos projetos de produção, consumo e armazenamento. Para os consumidores, deverá significar maior continuidade do serviço e infraestruturas preparadas para a mobilidade elétrica e o autoconsumo.

Quercus questiona parque eólico para o data center de Sines

A Quercus alerta que o estudo ambiental do Parque Eólico do Sudoeste, com 1098,4 hectares em Santiago do Cacém e destinado a alimentar o Data Center de Sines, subavalia os impactos. A associação questiona os benefícios reais para consumidores e comunidades locais e aponta um erro que sugere cópia apressada de outro projeto, fotovoltaico.

Viver com os incêndios

As perdas agrícolas em redor de Valpaços mostram como os incêndios afetam tanto os meios de subsistência como a paisagem. O sistema de drones de Leiria e os argumentos a favor do pastoreio tradicional apontam para diferentes formas de prevenção, uma tecnológica e outra assente em práticas consolidadas de gestão do território.

O fogo chega às vinhas e olivais de Valpaços

Um incêndio iniciado em Valpaços, que se alastrou a Mirandela, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, destruiu vinhas, olivais e amendoais mesmo antes das colheitas. A Quinta do Sobreiró de Cima estima um prejuízo preliminar de cerca de um milhão de euros e uma quebra de 50% na produção de vinho, e a Câmara pediu ao Governo a declaração de estado de calamidade.

Drones de Leiria a vigiar a floresta 24 horas por dia

Investigadores do CIIC, em Leiria, acrescentaram uma doca inteligente ao sistema DBoidS, que recarrega e relança os drones para que a vigilância florestal não pare. O sistema, que combina drones, inteligência artificial e gémeos digitais, está a ser validado com o Comando Territorial de Leiria da GNR.

Um pastor defende o pastoreio em vez dos aviões

Um pastor defende que o pastoreio tradicional nos montes e serras limpa o combustível de forma mais eficaz do que os meios aéreos. A peça apresenta a pastorícia como complemento de gestão do território ao combate convencional aos incêndios.

O mapa continua a preencher-se. Esta semana acrescentámos 35 projetos e 45 eventos. A Sustainable Living liga agora 327 projetos, 175 eventos próximos e 702 pessoas em Portugal.

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