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A semana no Pulso · 31 de agosto – 6 de setembro de 2026

Conseguirá Portugal tornar duradouros os compromissos de restauro?

Portugal tornou esta semana mais concretos os compromissos de restauro, desde um direito legal que acompanha o terreno em caso de venda ou herança até um plano nacional com 375 medidas. Contudo, as restrições nas águas balneares aumentaram acentuadamente e surgiram cristais sem explicação na albufeira do Roxo. O investimento nas redes de água e no armazenamento de energia oferece respostas práticas, enquanto a oposição local em Gavião mostra por que razão a localização continua a ser importante.

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O que marcou a semana

Esta semana, as opções de Portugal em matéria de sustentabilidade centraram-se muitas vezes em tornar duradouros os compromissos assumidos. Um direito de superfície registado, o primeiro do género, vincula agora uma propriedade privada ao restauro ecológico, mesmo que seja vendida ou herdada. A nível nacional, chegou a Brussels um projeto de plano de restauro com 375 medidas, mas a sua análise e conclusão poderão prolongar-se até agosto de 2027. A pressão que justifica este trabalho já é visível. As restrições nas águas balneares aumentaram 65% e as interdições mais do que duplicaram em relação a 2025. Até 30 de agosto, 68 locais tinham sido considerados impróprios para banhos pelo menos uma vez, com as águas interiores afetadas de forma desproporcionada. Na albufeira do Roxo, continuam por analisar cristais invulgares, apesar de um estudo ter detetado na sua sub-bacia uma condutividade da água 225% acima dos níveis naturais. A observação é preocupante, mas a causa ainda não foi determinada. No Alto Alentejo, a resposta está centrada nas infraestruturas básicas. A Águas do Alto Alentejo apresentou candidaturas a financiamento no valor de cerca de 9,4 milhões de euros para renovar as redes de água e saneamento em dez municípios. Segundo a empresa, medidas anteriores reduziram a água não faturada em cerca de 18% e permitiram poupar aproximadamente 414 000 metros cúbicos. O planeamento energético traz consigo outras escolhas difíceis. A estratégia nacional de armazenamento propõe 6,9 GW até 2030, recorrendo a baterias e centrais hidroelétricas reversíveis para apoiar a eletricidade renovável. Em Águeda, está previsto que 15 empresas partilhem 9,31 MWp de produção solar e 9 MWh de armazenamento. Contudo, a Câmara Municipal de Gavião opõe-se a uma linha de 220 kV associada à reconversão da central de Pego, alegando impactos nas povoações próximas. A expansão da energia limpa continua a depender do local onde as infraestruturas são instaladas e da aceitação dos seus custos pelas comunidades.

As histórias da semana

Dar continuidade ao restauro

Portugal está a integrar o restauro na lei, nas políticas e no território. Um direito registado sobre o terreno pode manter-se após uma venda ou herança, o plano nacional apresenta 375 medidas e Mafra iniciou a construção de um parque ecológico de 1,1 milhões de euros junto a um habitat costeiro protegido.

Portugal usa direito de superfície para proteger terreno para sempre destinado a rewilding

A Rewilding Portugal, a The Lifescape Project e a sociedade de advogados PLMJ assinaram e registaram o primeiro acordo em Portugal a usar o direito de superfície para destinar, de forma perpétua, uma propriedade privada ao restauro ecológico. Este instrumento jurídico permite que o terreno continue a pertencer ao proprietário, enquanto outra entidade adquire um direito real duradouro sobre ele para um fim específico, tradicionalmente construção ou exploração agrícola/florestal, agora adaptado à conservação. Por estar formalmente registado, o compromisso vincula-se ao imóvel mesmo em caso de venda ou herança futura. A iniciativa enquadra-se no Rewilding Law Hub da The Lifescape Project, que desenvolve mecanismos jurídicos para assegurar terrenos destinados a rewilding em diferentes países.

Portugal entrega a Bruxelas o projeto do Plano de Restauro da Natureza

Portugal entregou à Comissão Europeia o projeto do Plano Nacional de Restauro da Natureza, antes do prazo de 31 de agosto fixado pelo Regulamento Europeu do Restauro da Natureza. O documento, com 375 medidas e coordenado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, abrange ecossistemas terrestres, marinhos, de água doce, urbanos, agrícolas e florestais. Resultou de uma consulta pública que recebeu 184 participações. Portugal é o terceiro Estado-Membro a submeter um plano deste tipo. A Comissão tem agora seis meses para avaliar o projeto, após os quais Portugal terá mais seis meses para finalizar e publicar a versão definitiva, entre setembro de 2026 e agosto de 2027.

Câmara de Mafra inicia construção do Parque Ecológico da Empa junto à Ericeira

A Câmara Municipal de Mafra iniciou a construção do Parque Ecológico da Empa, a norte da Ericeira, com um orçamento de 1,1 milhões de euros. Os trabalhos arrancaram depois de concluídos os estudos arqueológicos, tendo a consignação da empreitada ocorrido a 27 de agosto. O projeto visa o restauro ecológico do património natural e a valorização paisagística junto ao Forte Milreu, entre as praias da Empa e da Orelheira, ligando terra e mar, urbano e rural. O local está integrado no programa da Orla Costeira Alcobaça-Cabo Espichel e na Rede Natura 2000, devido à presença de arribas com vegetação endémica. Financiada por fundos do Portugal 2030, a obra deverá demorar sete meses.

Água sob pressão

A qualidade da água está a expor fragilidades, das praias às albufeiras. As restrições aumentaram acentuadamente, os cristais invulgares do Roxo continuam por analisar e o Alto Alentejo procura obter 9,4 milhões de euros para modernizar as redes, depois de medidas de eficiência anteriores terem produzido poupanças quantificáveis.

ZERO reporta forte agravamento das restrições às águas balneares

A associação ambientalista ZERO afirma que a qualidade das águas balneares em Portugal continental se agravou em 2026, com as restrições ao banho a aumentarem 65% e as interdições a mais do que duplicarem face a 2025, com base nos pontos de situação mensais da APA e da DGS entre maio e julho. As interdições por contaminação microbiológica subiram 143%, concentradas sobretudo em julho. Num balanço mais alargado até 30 de agosto, a ZERO identificou 68 águas balneares com água imprópria pelo menos uma vez, com as águas interiores particularmente afetadas. A associação apontou deficiências no saneamento, descargas agropecuárias e industriais e poluição difusa, defendendo ação inspetiva mais forte.

Depósitos de cristais parecidos com sal encontrados na Albufeira do Roxo

Uma observadora de aves em Aljustrel relatou ter encontrado acumulações invulgares de cristais, com aspeto de sal, junto à margem da Albufeira do Roxo, algumas formando blocos até três metros de comprimento e 30 centímetros de altura. Sónia Santana Sacramento não estabelece qualquer relação com uma causa concreta e pede que o material seja analisado. O alerta surge depois de um estudo do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, publicado na Nature Communications, ter revelado um aumento de 225% na condutividade elétrica da água na sub-bacia do Roxo, classificado como salinização severa, a par de subidas de 88% no Sado e 116% em Alcanena.

Águas do Alto Alentejo submeteu candidaturas de 9,4 milhões desde janeiro

A empresa intermunicipal Águas do Alto Alentejo (AAA) submeteu desde janeiro candidaturas a fundos do Programa Portugal 2030 na ordem dos 9,4 milhões de euros, destinadas a criar, renovar e modernizar redes, equipamentos e infraestruturas de abastecimento de água e saneamento nos dez municípios que serve, no distrito de Portalegre. As candidaturas somam-se a um investimento superior a 11 milhões de euros já realizado desde 2022. Em paralelo, decorre um projeto de eficiência hídrica iniciado em 2024, com um investimento de cerca de seis milhões de euros ao longo de oito anos, que inclui novos sistemas de medição, deteção de fugas e telegestão. A AAA indica que as medidas já implementadas reduziram a água não faturada em cerca de 18% e permitiram poupar aproximadamente 414 mil metros cúbicos de água.

A pegada da energia

Portugal pretende alcançar 6,9 GW de armazenamento de energia até 2030, enquanto Águeda está a criar sistemas partilhados de energia solar e baterias para 15 empresas. A rejeição de uma linha elétrica proposta por parte de Gavião mostra que as infraestruturas renováveis ainda podem enfrentar forte oposição local devido à sua implantação no território.

Portugal quer quase duplicar capacidade de armazenamento de energia até 2030

A Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia (ENAE) está em consulta pública durante 20 dias a partir de 28 de agosto. O plano, baseado em estudos do INESC TEC, INESC-ID e IN+, define metas de 6,9 GW de capacidade de armazenamento até 2030 e 9,76 GW até 2040. Combina soluções de implementação rápida, como baterias, com projetos de maior escala e longevidade, como a bombagem hidroelétrica. A estratégia visa maximizar o aproveitamento da produção renovável nacional, mitigar a variabilidade eólica e solar, reforçar a segurança de abastecimento e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, definindo ainda princípios de mercado para valorizar o contributo do armazenamento para a flexibilidade e estabilidade do sistema elétrico.

Águeda investe 6,6 milhões numa comunidade de energia para empresas

A Câmara Municipal de Águeda adjudicou por 6,6 milhões de euros a construção de uma comunidade de autoconsumo coletivo no Parque Empresarial do Casarão a um consórcio liderado pela Dstsolar. O projeto, integrado no investimento do PRR para Áreas de Acolhimento Empresarial de Nova Geração, vai permitir a 15 empresas produzir, armazenar, partilhar e consumir energia renovável gerada localmente. Estão previstas 15 unidades de produção e armazenamento, com 9,31 MWp de capacidade fotovoltaica e 9 MWh de armazenamento, cujo sistema de baterias será desenvolvido pela b-again, também do dstgroup. O objetivo é reduzir a dependência da rede elétrica, os custos energéticos e a pegada carbónica das empresas instaladas.

Câmara de Gavião opõe-se a projeto fotovoltaico e eólico da Endesa

A Câmara Municipal de Gavião, no distrito de Portalegre, emitiu parecer desfavorável a um projeto da Endesa para uma linha elétrica de 220 kv entre Atalaia-Torre das Vargens e Cruzeiro-Concavada, associado à reconversão da Central Termoelétrica do Pego para energias renováveis. O presidente António Severino afirma que o concelho já tem 400 hectares classificados como área de parque solar, dos quais 80 ocupados por painéis, e considera que mais projetos deste tipo prejudicam o território e agravam a desertificação. Segundo o autarca, o projeto prevê uma subestação junto de uma aldeia, concentrando linhas do Crato, Ponte de Sor e Gavião, com impactos negativos sobre as povoações vizinhas.

O mapa continua a preencher-se. Esta semana acrescentámos 24 projetos e 96 eventos. A Sustainable Living liga agora 391 projetos, 247 eventos próximos e 800 pessoas em Portugal.

Novos projetos esta semana

Na nossa agenda

set1018:30
Sessões participativas sobre planos de gestão de áreas protegidas de Loulé

Sessões participativas sobre planos de gestão de áreas protegidas de Loulé

Reunião públicaGratuito

10/09 – 13/09

Vários locais (Junta de Freguesia de São Sebastião, Centro Autárquico de Quarteira, Junta de Freguesia de Salir, Casa do Povo de Querença) · Loulé · Algarve

Loulé realiza sessões participativas entre 10 e 13 de setembro para debater os planos de gestão de quatro áreas protegidas locais: Rocha da Pena, Fonte Benémola, Foz do Almargem e Trafal, e Gruta de Vale Telheiro. As sessões, abertas a entidades públicas, associações e à população em geral, decorrem em vários locais do concelho.

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