Resíduos urbanos voltam a subir em 2025 e 55% acabam em aterro
Portugal produziu 5,7 milhões de toneladas de resíduos urbanos em 2025, cerca de 509 quilos por habitante, mais 2% do que no ano anterior, que já tinha registado uma subida de quase 4%. A Agência Portuguesa do Ambiente fala em progressos limitados e em metas nacionais e europeias ainda longe de ser cumpridas. A recolha seletiva representa apenas 24% do total, 55% segue para aterro, face a uma meta de 10%, e só 14% é reciclado. Os biorresíduos pesam mais de um terço do lixo indiferenciado. A APA defende mais prevenção, melhor recolha seletiva e o modelo de pagamento pelo volume produzido.
Portugal recolhe menos de 30% dos resíduos eletrónicos, longe da meta europeia de 65%
Os resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos reúnem metais valiosos, como ouro, prata, paládio e cobre, mas também substâncias perigosas, como o chumbo, o lítio e o cádmio presentes em ecrãs e baterias. Reciclar bem permite poupar entre 60% e 95% da energia e entre 40% e 90% da água necessárias para obter o mesmo metal a partir de matéria-prima virgem. A União Europeia exige a recolha de 65% dos equipamentos colocados no mercado, mas Portugal fica abaixo dos 30%. Às marcas cabe garantir pontos de recolha acessíveis e parcerias com entidades certificadas. Os consumidores podem entregar gratuitamente o aparelho antigo na compra de um novo, e os pequenos equipamentos diretamente na loja.
APA vai avaliar com universidades o que da gestão de resíduos dinamarquesa serve a Portugal
A Agência Portuguesa do Ambiente vai assinar, até ao final de outubro, um protocolo com várias universidades para apurar que soluções dinamarquesas de gestão e valorização de resíduos podem ser aplicadas em Portugal. A decisão surge depois de uma visita à Dinamarca, no início do mês, que reuniu a ministra do Ambiente e Energia, o secretário de Estado do Ambiente, o presidente da APA e autarcas algarvios, e incluiu a central de valorização energética Amager Bakke, em Copenhaga. A Dinamarca envia pouco mais de 1% dos resíduos para aterro e tem dez tipologias de separação. O estudo surge quando vários aterros portugueses estão perto do limite e o sistema Volta é contestado, apesar de mais de 480 milhões de embalagens devolvidas desde abril.
Moedas pede em Bruxelas que o sistema de depósito de embalagens seja repensado
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, defendeu em Bruxelas que o sistema Volta, que devolve 10 cêntimos por embalagem, deve ser revisto. Segundo o autarca, a aplicação está a causar graves problemas sociais na capital, já que pessoas em tratamento de adições abandonariam os programas para recolher garrafas e obter dinheiro para droga. Depois de reunir com a comissária europeia do Ambiente, Jessika Roswall, disse que esta prometeu promover uma reunião técnica com a Comissão, o Governo e a autarquia. Moedas quer uma solução flexível como a francesa, onde o sistema foi suspenso em algumas cidades. A presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, afirmou não detetar esses problemas no seu concelho. O sistema funciona desde 10 de abril.
Moita abre concurso de 837 mil euros para recolha de biorresíduos porta-a-porta
A Câmara Municipal da Moita lançou um concurso público de 837.345 euros para assegurar, durante dois anos, a recolha porta-a-porta de biorresíduos. O serviço vai abranger cerca de 1.550 pontos de recolha, domésticos e não domésticos: cada um dos três circuitos domésticos serve cerca de 450 pontos, e o circuito não doméstico cerca de 200, entre os quais 32 cantinas escolares. As viaturas terão de ter geolocalização, para que a autarquia acompanhe os percursos em tempo real. Os resíduos seguem para o Ecoparque de Palmela, gerido pela Amarsul; a empresa contratada pesa o que recolhe, mas é o município que paga a deposição. As candidaturas decorrem até 11 de novembro.
JPP propõe recolha de resíduos aos sábados em Câmara de Lobos
O JPP vai apresentar na reunião de quinta-feira do executivo municipal de Câmara de Lobos uma proposta de recolha domiciliária de resíduos volumosos e verdes em horário alargado, incluindo todos os sábados de manhã, nas cinco freguesias. Seria um projeto-piloto com duração mínima de 180 dias, com recolha por marcação, e prevê ainda a avaliação do serviço da ARM. O partido pensa em quem trabalha a semana inteira ou não tem meios para levar esses resíduos ao ecocentro agora anunciado no Ribeiro Real. O vereador Miguel Ganança saúda o ecocentro, que o JPP reivindica desde 2021, e exige agora calendário de execução, condições de acesso e data de abertura.
Portugal destina 30 milhões de euros à reutilização de águas residuais tratadas
Portugal vai investir 30 milhões de euros no tratamento de águas residuais para que possam ser reutilizadas em vez de rejeitadas. A água recuperada destina-se à rega, à indústria e a espaços urbanos, com o objetivo de aliviar a pressão sobre os recursos hídricos existentes.
Águas do Algarve calcula em 305 milhões a captação no Guadiana e a dessalinizadora
A nova presidente da Águas do Algarve revelou, numa audição parlamentar, que a dessalinizadora de Albufeira e a captação de água do Guadiana, no Pomarão, vão custar cerca de 305 milhões de euros no conjunto. A tomada de água no Pomarão, ligada à barragem de Odeleite, está orçada em 188,7 milhões de euros e tem sete propostas por avaliar no concurso da empreitada. A dessalinizadora, já em construção, custará 116,9 milhões e deverá entrar em funcionamento no primeiro trimestre de 2029. Cada infraestrutura deverá fornecer, em média, 16 hectómetros cúbicos de água por ano, para reforçar a segurança do abastecimento na região.
Sete municípios da região de Viseu votam a entrada na Águas do Douro e Paiva
Os municípios de Viseu, Mangualde, Nelas, Penalva do Castelo, Sátão, São Pedro do Sul e Vouzela, nas regiões do Dão e do Médio Vouga, aprovaram a adesão à Águas do Douro e Paiva, anunciou a empresa. O alargamento do sistema multimunicipal de abastecimento de água do Sul do Grande Porto eleva para 27 o número de municípios acionistas e faz a área de intervenção passar de 2.715 para 4.446 quilómetros quadrados. Estão previstas uma nova estação de tratamento e uma nova barragem em Fagilde, novas condutas e a ligação entre o sistema de Lever, abastecido pelo Douro, e o de Fagilde, para melhor responder a escassez de água ou avarias. O alargamento será faseado. As deliberações seguem agora para o Ministério do Ambiente e Energia, antes da formalização jurídica e contratual.
Águas Públicas do Alentejo abre concurso de 5,9 milhões para a rede de São Teotónio
A Águas Públicas do Alentejo abriu um concurso de 5,9 milhões de euros, sem IVA, para construir condutas, reservatórios e estações elevatórias no subsistema de São Teotónio, no litoral de Odemira. A empreitada abrange as freguesias de São Teotónio e de Boavista dos Pinheiros e tem um prazo de execução de 630 dias, cerca de 21 meses. As novas infraestruturas ligam-se aos sistemas de São Teotónio, Boavista, Fataca, Zambujeira do Mar e Brejão, pelo que várias localidades costeiras serão abrangidas. O abastecimento atual tem de se manter em funcionamento durante os trabalhos. Ainda não há data para a adjudicação nem para o arranque da obra.
Governo dos Açores agenda para 2027 segunda fase da proteção da arriba nas Calhetas
O Governo Regional dos Açores prevê arrancar, no primeiro semestre de 2027, a segunda fase da proteção da orla costeira das Calhetas, na Ribeira Grande. O investimento estimado é de 3,7 milhões de euros, mais IVA, com financiamento europeu garantido através do Açores 2030. O concurso público deverá ser lançado este ano e a obra terá 18 meses de duração. Esta fase visa estabilizar a vertente e a crista da arriba, com betão projetado ancorado por pregagens metálicas junto às edificações, além de um passeio pedonal, muros e repavimentação na Rua da Boa Viagem. O Executivo justifica a ausência de obra em 2026 com os 250 mil euros inscritos, aplicados nos projetos de execução e na revisão técnica externa obrigatória. A explicação surge após o requerimento do PS, que questionou os atrasos.
Fábrica de água de quase 19 milhões avança em Gostei com capital de Ronaldo
As obras de terraplanagem estão em curso na aldeia de Gostei, em Bragança, onde nasce uma fábrica de engarrafamento de água com um investimento próximo dos 20 milhões de euros. A promotora, a Maravilha Decimal, pertence em partes iguais ao Grupo Outeirinho e a Cristiano Ronaldo. O edifício deverá estar de pé em março ou abril, a unidade pronta no final de 2027 e a laborar no início de 2028, com capacidade para embalar 500 a 600 milhões de litros por ano. Começa com 30 a 35 trabalhadores e três linhas de enchimento, e a água, alcalina e antioxidante, será vendida sobretudo no estrangeiro. O financiamento é, para já, totalmente privado, podendo haver candidatura ao Portugal 2030 para os acabamentos exteriores.
CGD capta 500 milhões de euros com obrigações verdes sénior a quatro anos
A Caixa Geral de Depósitos realizou uma emissão verde de dívida sénior preferencial de 500 milhões de euros, com prazo de quatro anos e possibilidade de reembolso antecipado ao fim de três. A operação está associada a uma carteira de financiamentos a imóveis residenciais e comerciais. Os investidores institucionais apresentaram 148 ordens, num total superior a 3.300 milhões de euros, cerca de 6,6 vezes o montante disponível. O Reino Unido representou 31% da procura, a França 26% e o Benelux 17%. Espera-se um rating de A pela S&P, Baa1 pela Moody's e A (High) pela Morningstar DBRS.