Acampada do Rossio dá a palavra a quem vive a crise da habitação
Durante quase três horas, a plataforma Casa para Viver abriu um microfone na praça Dom Pedro IV, em Lisboa, onde há tendas montadas desde sábado, e deu a palavra a representantes de associações e a cidadãos anónimos perante várias centenas de pessoas. Duas mulheres vítimas de violência doméstica descreveram rendas em atraso, uma ordem de despejo e a dificuldade quase impossível de arrendar casa com um só salário; um sem-abrigo que vive do subsídio militar também falou. Outros criticaram o turismo e a nova lei do arrendamento proposta pelo Governo, em discussão no parlamento. A organização apelou à adesão às manifestações de 27 de outubro e 14 de novembro e anunciou nova assembleia às 19:00.
Movimento pela habitação garante que protestos prosseguem depois de terminar a licença no Porto
A porta-voz do movimento pela habitação, Cristiana Leal, garantiu que a contestação não termina quando caducar, a 20 de outubro, a autorização da Câmara do Porto para ocupar a Praça D. João I. Considerou que a semana de protestos foi o despertar de um povo e apontou a crescente mobilização em Faro, na Madeira e em Lisboa, onde estão previstas uma manifestação e uma acampada. Cerca de uma centena de elementos juntou-se à marcha da CGTP no Porto e foi recebida com palmas à chegada, mas sem autorização para discursar. Leal, uma das atingidas pela carga policial que pôs fim à acampada na madrugada de quinta-feira, criticou o presidente da câmara e convocou uma assembleia popular para as 19:00 de sábado.
Acampada da habitação no Porto só aceita reunir com o presidente da câmara por convite ao e-mail do grupo
O movimento pela habitação que ocupa há uma semana a Praça D. João I, no Porto, diz estar disponível para reunir com o presidente da câmara, Pedro Duarte, mas só se o convite for enviado para o endereço eletrónico oficial do grupo. O porta-voz, João Silveira, explicou que o gabinete do autarca contactou um dos participantes, que não representa mais do que a si próprio. Duarte tinha dito aguardar resposta a um convite feito na quinta-feira e que as portas da autarquia estão sempre abertas. O movimento quer tudo registado por escrito e prepara um caderno reivindicativo, que deverá ficar concluído em breve, para entregar à câmara.
Juventude do JPP apoia protestos pela habitação e exige casas acessíveis na Madeira
A Juventude do Juntos Pelo Povo manifestou solidariedade com os protestos de jovens em todo o país sobre a habitação e o custo de vida, alertando que a Madeira vive a mesma realidade. Cita uma subida de 17,6% no preço das casas em 2025, segundo o INE, e uma renda mediana de 12,78 euros por metro quadrado nos novos contratos da região no segundo trimestre de 2026. O vice-presidente, Diogo Monteiro, contestou a classificação dos protestos como egoístas, feita pelo primeiro-ministro. A estrutura exige mais habitação pública a custos acessíveis, melhores salários e combate à precariedade, para que os jovens licenciados não sejam empurrados a emigrar.
Comentadora da CNN Portugal vê na crise da habitação um risco político crescente
Margarida Davim, na rubrica "Na Mira" de domingo na CNN Portugal, analisou a crise da habitação e os protestos que se multiplicam em Portugal e na Europa. Descreveu o problema como uma bomba-relógio na vida de muitos portugueses, que começa agora a tornar-se também um perigo para vários políticos.
Autor defende nova lei dos solos como resposta à construção ilegal em Portugal
Defende-se que a nova lei dos solos, que reclassifica solos rústicos como urbanos, pode tornar-se uma reforma estrutural estratégica, desde que haja consenso entre as principais forças políticas e meios para a aplicar. A construção ilegal é generalizada: falta habitação, os terrenos e a construção estão inflacionados e o licenciamento municipal é lento e por vezes corrupto. Um relatório oficial apurou que 94% das 1.312 operações urbanísticas avaliadas, em 59 municípios entre 2020 e 2024, tinham ilegalidades ou inconformidades. Aplaude-se a regra que reserva pelo menos 70% da área de construção nos terrenos reclassificados a habitação pública, arrendamento acessível ou custos controlados, vista como forma de travar a especulação. O alerta é que, sem envolver os interesses poderosos, a lei pode falhar à nascença.
Viana do Castelo aprova contrato para construir 64 habitações em Darque
O executivo municipal de Viana do Castelo aprovou a adjudicação e a minuta do contrato para a construção de 64 habitações na freguesia de Darque. O investimento é de 8,5 milhões de euros.