Milhares junto ao parlamento exigem habitação, dias depois da carga policial nas acampadas
Milhares de pessoas encheram a rua de São Bento, defronte do parlamento, no dia em que arrancou a discussão do Orçamento do Estado para 2027, em resposta ao apelo do movimento da Acampada de Lisboa e da plataforma Casa Para Viver. A PSP cortou o trânsito antes das 18h30. A concentração surge depois da operação policial de madrugada de domingo, que dispersou as acampadas de Lisboa e do Porto à bastonada e com cães: a PSP contabilizou 33 feridos e 33 detidos por desobediência. A IGAI abriu um processo e a provedora de Justiça pediu informações urgentes à PSP. Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim dos despejos sem alternativa habitacional e mais habitação pública.
Preços das casas em Portugal sobem 41,5% em cinco anos, o maior aumento da UE
Os preços da habitação em Portugal aumentaram 41,5% em cinco anos, a maior subida registada na União Europeia desde 2020, segundo um estudo da Portada. No mesmo período, a construção de casas novas continuou muito abaixo dos valores do início do século, o que deixa a oferta bastante aquém do que o país chegou a produzir há duas décadas.
BE quer impedir o Governo dos Açores de vender imóveis públicos que podiam servir para arrendamento
O deputado António Lima, do Bloco de Esquerda, anunciou uma iniciativa para impedir o Governo Regional dos Açores de vender imóveis urbanos que possam ser reabilitados e arrendados. Defende que sejam recuperados e arrendados a preços compatíveis com os salários da região, que são baixos. Apresentou-a junto de uma casa degradada, propriedade da região e já posta à venda, em Ponta Delgada, e alertou que esta e outros imóveis podem acabar convertidos em hotéis ou alojamento local. Referiu uma subida de 23% no preço das casas em 2026 e um relatório sobre a crise habitacional; as dez estratégias locais de habitação contabilizam 3.046 situações de indignidade habitacional, número provavelmente subestimado.
Crise da habitação deve incluir a recuperação do Interior despovoado, defende autor
Os preços da habitação em Portugal subiram, em média, 17,6% em 2025, mas o debate continua centrado em Lisboa e no Porto. O autor defende que parte da resposta está no Interior, que sozinho não resolve a crise. Muitas casas vazias estão degradadas ou presas em heranças por resolver, pelo que são precisos apoio à reabilitação, menos burocracia e soluções para os conflitos de propriedade. Casas mais baratas não fixam famílias sem emprego, transportes, Internet, escolas e cuidados de saúde. Entre 2021 e 2024, 120 dos 308 municípios ganharam jovens e 99 perderam população em idade ativa, pelo que as políticas devem variar consoante o território. Termina com um testemunho pessoal sobre a vida comunitária no Soito, na Beira Alta.
Défice de licenças de construção, e não de casas públicas, está na origem da crise da habitação
Entre 2010 e 2025, Portugal emitiu cerca de 3.144 licenças para habitação nova por cada 100 mil habitantes, contra 5.676 na média da União Europeia, uma diferença de cerca de 45%. O autor defende que esta falta de construção é a principal causa da crise. Rejeita que a construção pública seja a solução: nos modelos austríaco, alemão e holandês, a maior parte da chamada habitação pública pertence a privados e é por eles gerida, cabendo ao Estado fornecer terrenos, incentivos fiscais e financiamento em troca de limites à renda e à venda. Defende que o Estado regule e crie condições para o mercado, e construa diretamente apenas para carências estruturais e permanentes.
Crise da habitação e cargas policiais sobre acampamentos alimentam protestos de rua em todo o país
Ter casa em Portugal é cada vez mais difícil: o arrendamento absorveria quase 116% do orçamento mensal e a compra cerca de 76%, com Lisboa, Funchal e Faro sob maior pressão. Com as verbas do PRR terão sido construídas só cerca de 12.000 casas novas, enquanto fundos imobiliários compram em grande escala. O Governo fixou a renda acessível em 2300 euros, para um salário mediano perto dos 1000. Na Madeira, campos de golfe e habitação de luxo convivem com 20,5% da população em risco de pobreza. As cargas policiais sobre tendas de protesto em Lisboa e no Porto, defende o autor, estão a reforçar as manifestações em vez de as calar.
Comentador vê nos protestos pela habitação uma ofensiva revolucionária neo-marxista
Um artigo de opinião defende que a falta de habitação e a subida dos preços em Portugal foram provocadas pelos governos de António Costa, que deixaram a procura disparar, com mais de um milhão de estrangeiros em seis anos, e construíram menos casas do que o prometido. Considera que o Governo atual faz bem em aumentar a oferta, reduzir a imigração e apoiar os jovens. O autor sustenta que as esquerdas radicais exploram o tema, na linha de pensadores como Laclau, Mouffe, Hardt e Negri, e que os acampados com assembleias populares são a versão portuguesa desse movimento. Pede aos partidos do centro e da direita que defendam a democracia parlamentar e a polícia.
Pedro Duarte explica o que o Porto está a fazer em matéria de habitação
Os presidentes das Câmaras de Lisboa e do Porto foram questionados sobre o que estão a fazer pela habitação nos respetivos concelhos. Aqui responde Pedro Duarte, autarca do Porto, que sugere que, quanto mais oferta e respostas sociais a cidade disponibiliza, maior é a procura com que se depara. O texto disponível contém apenas a introdução à sua resposta.
Movimento de Braga entrega 44 páginas de propostas para o orçamento de 2027, com foco na habitação pública
O movimento Amar e Servir Braga entregou um documento de 44 páginas com contributos para o Plano e Orçamento Municipal de Braga para 2027. A principal proposta é dotar a BragaHabit de mais meios para promover habitação pública. O movimento quer ainda que a autarquia inicie formalmente o processo da rede Tram-Train, para reforçar a mobilidade coletiva, e que a rede ciclável seja avaliada e corrigida. Nas propostas de mobilidade inclui-se financiamento para estudos, articulação com o Governo e com os municípios envolvidos e avaliação de custos.
Verba de 500 mil euros para habitação no Funchal fica por usar e programa adiado para 2027
O JPP, maior partido da oposição na Assembleia Municipal do Funchal, critica a maioria PSD/CDS pela gestão do programa "Habitar Funchal". A sexta alteração ao orçamento municipal de 2026 inscreveu 500 mil euros para o programa, mas o executivo veio depois dizer que a verba não será usada este ano e que a concretização passa para 2027. Segundo o JPP, o dinheiro saiu do canil (180 mil euros), da manutenção e limpeza dos sanitários públicos (68 mil) e do táxi gratuito para idosos com mais de 75 anos (100 mil). O programa, anunciado em junho, prevê procurar casas no mercado para subarrendar a rendas reduzidas. O partido exige um calendário claro para a abertura de candidaturas.
PS do Funchal aprova alteração orçamental mas contesta atrasos e financiamento da habitação
O grupo do PS na Assembleia Municipal do Funchal votou a favor da sexta alteração ao Orçamento Municipal de 2026, numa sessão extraordinária. A deputada Isabel Garcês criticou os atrasos na execução das políticas de habitação e considerou positivo o reforço de dois milhões de euros, mas questionou a forma como é financiado: os 500 mil euros do Habitar Funchal são compensados por cortes no canil municipal, no programa 'Táxis +75', na formação em contexto de trabalho e na limpeza dos espaços públicos. O PS quis ainda saber como serão repartidos os 1.036.000 euros anuais para as freguesias entre 2027 e 2029 e qual o custo de passar de 18 para 21 departamentos. O presidente da câmara apontou para cerca de 15 mil euros por ano.
Associação de reformados da Madeira junta-se a protesto pela habitação no Funchal
A Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos da Região Autónoma da Madeira (ARPIRAM) vai aderir à manifestação pelo direito à habitação promovida pelo movimento 'Porta a Porta', marcada para 14 de novembro, às 11 horas, na Rua Fernão de Ornelas, no Funchal. Em comunicado, apela à participação dos associados e da população em geral. Defende que a atual crise habitacional exige medidas mais abrangentes dos poderes públicos e alerta para as dificuldades de muitas famílias em encontrar uma casa digna. Considera a habitação um direito universal e fundamental, e o problema simultaneamente humano e social.
Assembleia pela Habitação da Madeira reúne de novo no Funchal a 1 de novembro
Os membros da Assembleia Popular pelo Direito à Habitação – Madeira marcaram nova reunião para domingo, 1 de novembro, às 17h00, no anfiteatro público do Jardim Municipal do Funchal. O coletivo descreve a sessão do domingo anterior como um marco histórico do movimento cívico madeirense, que juntou pessoas de várias zonas da região e favoreceu novas alianças e a partilha de testemunhos. Por votação, ficou decidido realizar mais duas assembleias populares até à manifestação 'Casas para Viver', marcada para 14 de novembro. O convite estende-se a todas as pessoas que habitam e constroem a ilha.