Madeira apaga luzes exteriores durante três horas para guiar jovens cagarras até ao mar
Pede-se à Madeira e ao Porto Santo que desliguem a iluminação exterior desnecessária entre as 20h e as 23h de sexta-feira, 30 de Outubro, noite em que se espera o pico de saída dos juvenis de cagarra dos ninhos. A luz artificial desorienta as aves, que podem colidir com obstáculos ou cair em zonas urbanizadas. A SPEA Madeira, organizadora do apagão, regista cerca de 200 cagarras caídas por ano e vê sinais de redução, possivelmente ligada a melhorias na iluminação. Holofotes apontados a escarpas e ao mar e piscinas iluminadas junto ao litoral continuam a ser um problema. Participam quatro municípios, hotéis e os dois aeroportos, no âmbito do projecto LIFE Natura@night, cofinanciado pela UE e a decorrer até ao final de 2027.
Abutre-preto soma mais casais em Portugal e ganha sexta colónia em Monfortinho
Em 2026, as colónias monitorizadas contaram entre 127 e 131 casais de Abutre-preto a nidificar, contra 119-126 em 2025, e os juvenis voadores passaram de 56 para uma estimativa de 61 a 68. Uma nova colónia em Monfortinho, no Centro do país, eleva para seis as colónias conhecidas; tem dois casais e criou um juvenil. O Tejo Internacional concentra mais de metade dos casais. O Douro Internacional recupera do incêndio de agosto de 2025, mas os resultados variam entre colónias. Incêndios, envenenamento, abate ilegal, escassez de alimento e infraestruturas de energias renováveis mal planeadas continuam a ser ameaças, e pelo menos 33 casais monitorizados reproduzem-se do lado espanhol da fronteira.
Naturalista de 15 anos encontra possível ácaro novo nas serras do Porto
Vasco Fonseca, de 15 anos, vive em Azeitão e fez da observação da natureza um modo de vida, desde os caracóis que apanhava em criança até aos festivais de aves e à ciência cidadã. No Natal de 2024, ao levantar uma rocha numa serra do Porto, fotografou um pequeno animal que se revelou pertencer ao género de ácaros Opilioacarus, talvez nunca registado em Portugal e possivelmente uma espécie nova. Interessa-se também pelas orquídeas silvestres e aconselha quem quer começar a olhar para perto de casa, usar o iNaturalist, participar em atividades locais e respeitar os habitats. No espaço de vegetação espontânea da sua escola já foram registadas 545 espécies.
Portugal diz na COP17 que novas áreas marinhas vão proteger um quarto do seu mar
Na COP17, a conferência da ONU sobre biodiversidade que decorre na Arménia, o secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, anunciou que a criação do Parque Marinho dos Açores e da Reserva Natural Marinha D. Carlos vai colocar cerca de 25% do espaço marítimo português sob proteção. Apresentou-a como o contributo nacional para a meta global de proteger 30% dos oceanos até 2030, a par da implementação do Tratado do Alto Mar. No plano interno, ficou concluída a designação de 61 Zonas Especiais de Conservação da Rede Natura 2000. O governante reconheceu que os progressos desde o Quadro de Kunming-Montreal continuam insuficientes e defendeu mais financiamento, incluindo privado, e o fim ou a reforma dos subsídios prejudiciais à biodiversidade.
Jogo online permite criar uma obra coletiva desenhada com fungos vivos
O artista plástico Tomás João (Nature the Artist), em colaboração com quatro investigadoras do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, lançou o jogo online 10 000 Well Plate. Entre 1 e 7 de novembro, cada jogador pode reservar até 46 dos 11 520 poços e escolher um de quatro fungos, de modo que cada poço funciona como um píxel colorido. Os fungos escolhidos, dos géneros Aspergillus e Penicillium, são depois inoculados no laboratório e crescem para lá dos limites dos poços, alterando aos poucos os desenhos feitos pelos humanos. A equipa vencedora recebe um registo fotográfico impresso e assinado, e a exposição abre no MUHNAC, em Lisboa, a 27 de novembro de 2026.
Estudo de Évora mostra que investigação sobre o montado ignora grupos sociais importantes
Investigadores da Universidade de Évora analisaram 55 publicações científicas sobre o montado português e a dehesa espanhola. O estudo, publicado na revista Agroforestry Systems, conclui que a investigação tem privilegiado a visão de proprietários, agricultores e entidades de gestão do território, enquanto consumidores, trabalhadores rurais, empresas e organizações da sociedade civil são muito menos estudados. A literatura agrupa-se em quatro temas: património cultural e turismo rural, conservação da biodiversidade, políticas públicas e recursos naturais, e produção pecuária e pastoreio. Os autores defendem uma gestão integrada e participativa e políticas públicas mais ajustadas a paisagens que enfrentam alterações climáticas, degradação ambiental e abandono rural. O trabalho pretende orientar futuras linhas de investigação e reforçar a resiliência destes sistemas agroflorestais.
JPP contesta ponte de betão nas obras da vereda da Ponta de São Lourenço
O JPP está a questionar a decisão do Governo Regional de trocar uma ponte de madeira por uma estrutura em betão nas obras de requalificação da vereda da Ponta de São Lourenço. A zona integra a Rede Natura 2000, classificada como Zona Especial de Conservação e Zona de Proteção Especial. O deputado Rafael Nunes, que preside à comissão parlamentar de Ambiente, Clima e Recursos Naturais, admite que os percursos precisam de ser recuperados e tornados mais seguros, mas pergunta porque não foram escolhidas soluções de engenharia natural e se houve avaliação de impacte ambiental. O partido vai pedir ao Governo e ao Instituto das Florestas e Conservação da Natureza o projeto de execução, os pareceres ambientais e os estudos que sustentaram a opção.
Junta de Lanhelas exige travar aterros na margem do rio Minho
A Junta de Freguesia de Lanhelas, em Caminha, pediu a suspensão imediata de aterros e outras intervenções na margem do rio Minho, no Rego da Torre, junto à Quinta da Torre. O presidente, Adolfo Marrocos, denuncia movimentações de terras, alterações das margens, instalação de postes e vedações e novas plantações, e suspeita de ocupação ilegal do domínio público hídrico. A junta quer que a Agência Portuguesa do Ambiente, a GNR e a Autoridade Marítima fiscalizem o local e esclareçam as autorizações existentes. A presidente da Câmara de Caminha, Liliana Silva, diz que o município já alertou as entidades competentes e que não há qualquer pedido de licenciamento para aquele local.