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Pulso

2 de novembro de 2026

Bom dia. Um outono seco, uma lagoa com longa memória e uma coruja de regresso à natureza: eis o que se passa hoje no Portugal sustentável.

Natureza e paisagem

Coruja-do-mato resgatada em Leiria regressa à natureza após meses de recuperação

Uma coruja-do-mato foi libertada no domingo, dia 18, depois de uma longa recuperação no Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Montejunto (CRASM). A ave tinha sido resgatada em abril pelo Movimento Cívico Barosa Viva, que a entregou ao SEPNA da GNR, sendo depois encaminhada para o centro. Durante o tratamento, o CRASM foi dando notícias ao movimento e acabou por o convidar a assistir à largada, ao lado da equipa do centro. Os participantes falam de um grande privilégio e dizem ter a certeza de que os animais selvagens ali acolhidos estão em excelentes mãos.

Centro ambiental das Furnas assinala 25 anos a explicar a caldeira vulcânica e a lagoa

O Centro de Interpretação Ambiental das Furnas (CIAF) abriu em julho de 2001, na margem sul da Lagoa das Furnas, em São Miguel, dentro da caldeira do vulcão. Integra a rede de centros ambientais do Governo Regional dos Açores e funciona como delegação do Geoparque Açores, Geoparque Mundial da Unesco. A equipa organiza visitas guiadas a uma exposição interativa, percursos interpretativos na área envolvente e ações de educação ambiental, tendo as escolas como público de destaque. O centro dá ainda a conhecer o plano de ordenamento da bacia hidrográfica da lagoa e o Laboratório de Paisagem das Furnas, que nasceu da recuperação da lagoa e da melhoria da qualidade da água e hoje abrange também objetivos ecológicos, paisagísticos, sociais e económicos.

Parlamento recomenda observatório ambiental e sanitário para a Lagoa de Óbidos

A Assembleia da República recomendou ao Governo a criação de um observatório para acompanhar o estado ambiental e sanitário da Lagoa de Óbidos, segundo uma resolução publicada em Diário da República. A estrutura faria a monitorização diária da qualidade da água, dos sedimentos, do assoreamento, dos habitats e das espécies, e reuniria dados sobre bivalves, fitoplâncton nocivo, biotoxinas e contaminantes. Recorreria de forma progressiva a sensores, estações de medição e sistemas de alerta precoce, e publicaria os dados numa plataforma digital pública. A gestão caberia em conjunto aos municípios das Caldas da Rainha e de Óbidos, com entidades nacionais como a APA, o IPMA e o ICNF, e com relatórios trimestrais e anuais. O financiamento poderia vir do Fundo Ambiental, do Orçamento do Estado e de fundos europeus.

Nuno Faustino defende incentivo ao abate de javalis, mas admite que não resolve o problema

O Governo português já tem no terreno uma iniciativa destinada a reduzir o número de javalis. Nuno Faustino afirma, numa peça de rádio regional, que incentivar o abate não é a solução para o problema, mas considera a medida justa.

Água, clima e resiliência

Outono seco pesa nos níveis de água das albufeiras em Portugal continental

Um início de outono seco está a afetar os níveis de água nas albufeiras. As temperaturas começam a descer já a partir de amanhã, mas a chuva só deverá chegar a Portugal continental dentro de cerca de uma semana.

Câmara da Calheta pede poupança de água nos Prazeres após avaria na rede de captação

A Câmara Municipal da Calheta pediu, numa publicação nas redes sociais, aos moradores da freguesia dos Prazeres que utilizem a água de forma responsável nas próximas horas e evitem consumos desnecessários. A autarquia explica que uma ocorrência na rede de captação está a limitar, de forma temporária, o abastecimento de água destinada ao tratamento e à reposição dos reservatórios. Pede, por isso, a colaboração de todos na redução do consumo até a situação voltar à normalidade.

Vereadores do JPP denunciam novas descargas para o mar na Praia do Gorgulho, no Funchal

Os vereadores do Juntos Pelo Povo (JPP) na Câmara do Funchal dizem que, num dia de chuva intensa, voltaram a registar-se descargas para o mar na Praia do Gorgulho – Gavinas. Segundo o partido, já não se trata de um único ponto, como antes se reportava, mas de dois pontos distintos. Fátima Aveiro e António Trindade levaram o assunto à reunião de Câmara de 9 de julho, após queixas de vários munícipes, e a 26 de julho ocorreu nova descarga. Consideram o problema crónico e defendem que continuará, em qualquer estação e com qualquer tempo, enquanto o executivo municipal não investigar e punir os responsáveis.

Almeirim reforça ribeiras, caminhos rurais e passagens hidráulicas contra chuvas intensas

A Câmara Municipal de Almeirim está a executar obras em linhas de água, caminhos rurais e passagens hidráulicas em todo o concelho. O objetivo é aumentar a capacidade de escoamento e reduzir os efeitos da precipitação intensa.

Governo dos Açores vai investir cerca de 20 milhões de euros em resiliência climática até 2030

O Governo Regional dos Açores anunciou que vai investir cerca de 20 milhões de euros até 2030 para reforçar a capacidade do arquipélago de resistir aos efeitos das alterações climáticas. O financiamento será canalizado através do projeto LIFE IP CLIMAZ, com o qual o executivo açoriano se compromete.

A merecer atenção

Centro de dados da Google em São Miguel pode queimar milhões de litros de fuelóleo por ano

A instalação que a Google prevê para a Lagoa, em São Miguel, é apontada como tendo 10 megawatts, mas nenhuma entidade oficial divulgou o consumo elétrico esperado. Aplicando a mistura atual da ilha, em que cerca de 57% da eletricidade vem do fuelóleo, o autor estima entre 44 e 88 GWh por ano, isto é, 10% a 19% do consumo da ilha. Seriam cerca de 5 a 11 milhões de litros de fuelóleo e 17 a 33 mil toneladas de CO2 anuais. O terreno fica a cerca de cem metros de um hotel e de um hospital, pelo que os limites de ruído noturno pesam. O Bloco de Esquerda pediu ao Governo Regional que confirme os valores; até 10 de outubro não constava resposta.

Polícia desmantela acampamentos de protesto pela habitação em Lisboa e Porto e deixa dezenas de feridos

Pela segunda semana consecutiva, a polícia avançou de madrugada contra os manifestantes pela habitação em Lisboa e no Porto. Em Lisboa, depois de três avisos para a retirada de cerca de 70 tendas no Rossio, o Corpo de Intervenção, com escudos e cães, avançou sobre manifestantes que tinham formado cadeias humanas. Foram lançados petardos e há relatos de cassetetes usados contra manifestantes, entre os quais um jornalista, e de tiros de aviso para o ar. Houve quase uma dezena de detenções e dezenas de feridos. Deputados da oposição que se colocaram na linha da frente da manifestação em Lisboa foram retirados. Uma equipa da Provedoria de Justiça acompanhou a operação. Os protestos, que duram há um mês, passaram a incluir também o direito de manifestação, e os organizadores prometem concentrações todos os dias.

Mais de 50 pessoas reúnem-se em Viana do Castelo por mais habitação

Mais de 50 pessoas juntaram-se na Praça da República, em Viana do Castelo, nas primeiras jornadas populares do ManifestAM, um movimento cívico apartidário acabado de criar no Alto Minho. A tarde teve assembleia popular, partilha de testemunhos, música e oficinas em que as crianças fizeram cartazes de protesto. O movimento apresentou um manifesto com as suas reivindicações em matéria de habitação e aproveitou o encontro para preparar uma manifestação marcada para 14 de novembro, alinhada com as acampadas do Porto e de Lisboa. Nesse dia, vai articular-se com a manifestação em defesa do Serviço Nacional de Saúde, na mesma cidade. Por agora, os organizadores dizem não sentir necessidade de montar tendas na praça.

Plano de construir mais casas esbarra numa pergunta sem resposta: quem as vai construir

Portugal discute há vários anos a necessidade de construir mais habitação, e o diagnóstico é em larga medida consensual: aumentar a oferta, acelerar o licenciamento, disponibilizar terrenos e atrair investimento público e privado. Falta, porém, atenção a uma questão mais elementar. Mesmo que o planeamento, os terrenos e o financiamento avancem, alguém tem de erguer fisicamente as casas, e o artigo questiona quem o fará.

Agricultura, financiamento e políticas

Regadio do Roxo quer condutas sob pressão e legalizar 2.300 hectares regados sem licença plena

A associação que gere o regadio do Roxo, no Baixo Alentejo, quer trocar a atual rede gravítica por condutas enterradas em alta pressão, para reduzir as perdas de água. A obra prevê um reservatório de regularização em Xacafre, uma nova tomada no Canal Condutor Geral e uma estação elevatória para as redes secundárias. O projeto pretende ainda integrar formalmente cerca de 2.329 hectares regados a título precário desde 2015. O aproveitamento, em funcionamento desde 1968, serve 8.561 hectares nos concelhos de Aljustrel, Ferreira do Alentejo e Santiago do Cacém. A consulta pública do estudo de impacte ambiental decorre até 9 de dezembro, no portal Participa. O valor do investimento não foi divulgado.

Abertas candidaturas a apoio para converter matos em novas pastagens

Está em vigor o período de candidaturas à medida de conversão de matos em novas pastagens, ao abrigo do Aviso de Abertura de Concurso n.º 03/2026. O concurso funciona em contínuo e mantém-se aberto até se esgotar a dotação disponível, de 300 mil euros. As candidaturas são submetidas na Área Reservada do Portal do IFAP, na secção do Fundo Ambiental dedicada à redução de carga combustível. Na respetiva área do portal está disponível um manual de apoio à submissão.

Agricultor regenerativo questiona se a agricultura industrial é mesmo necessária para alimentar o mundo

Um agricultor português ligado à agricultura regenerativa contesta a ideia de que a agricultura industrial seja o único caminho para alimentar uma população em crescimento. Lembra que o planeta já produz alimentos suficientes, mas centenas de milhões de pessoas passam fome, enquanto avançam a obesidade e as doenças metabólicas. Defende que a fome resulta tanto da pobreza, da desigualdade, dos conflitos, do desperdício e da distribuição como da quantidade produzida. Aponta à monocultura, aos fertilizantes sintéticos e à dependência de energia fóssil custos ambientais e de saúde que o preço final não mostra, além da concentração da produção em poucos operadores. Propõe passar de produzir mais a produzir melhor, tratando o solo e os ecossistemas como comunidades vivas e não como matéria-prima.

Elétricos usados podem tornar a mobilidade elétrica acessível a mais famílias em Portugal

O interesse por elétricos usados está a crescer em Portugal: segundo um estudo da carVertical, as consultas de históricos destes veículos aumentaram 49% entre 2024 e 2025 e 98% entre 2025 e 2026. Não são dados de vendas, mas indicam procura. Os elétricos novos continuam caros para as famílias, que não dispõem das vantagens fiscais das empresas, e a forte desvalorização de alguns modelos leva ao mercado de segunda mão veículos recentes e tecnologicamente avançados, a preços mais baixos. O estado e o custo das baterias são a maior dúvida: 67,2% dos comerciantes europeus inquiridos apontam-nos como barreira muito importante. Com um parque automóvel de idade média próxima dos 14 anos, defende-se que os profissionais do setor devem garantir informação credível e avaliações rigorosas das baterias.

Presidente da Câmara de Coimbra defende cuidados ao domicílio profissionalizados em congresso de saúde

A presidente da Câmara de Coimbra, Helena Teodósio, abriu nos dias 29 e 30 de outubro o congresso “Proximidade que Cuida”, organizado pela ULS de Coimbra no Centro Social e Paroquial de S. Pedro. Defendeu que a proximidade dos cuidados é uma questão de conforto e também de segurança clínica, porque facilita a deteção precoce de doenças. Apelou a equipas de domicílio profissionalizadas, ligadas aos serviços de saúde, e a soluções que evitem que a dependência leve de imediato à institucionalização. Com dados do Pordata, avisou que quem tem hoje cerca de 40 anos e não tem irmãos poderá contar apenas com uma pessoa aos 75, passando o custo dos cuidados para instituições, autarquias e erário público. Lembrou ainda que cuidar exige uma remuneração justa.

Pequenas maravilhas perto de casa

Guimarães inaugura parque infantil dedicado à música, criado por dois vimaranenses

Guimarães inaugurou há pouco o Parque da Imaginação Musical (PIM), integrado no parque da cidade: um espaço de acesso livre onde crianças e adultos exploram a música e o som através do jogo e da pedagogia. A ideia partiu de dois vimaranenses, o músico Tiago Simão e o arquiteto João Mendes. O autor defende que o espaço público molda comportamentos e bem-estar, recorda Durkheim e parques infantis de Copenhaga, Paris e Berlim, e vê no PIM a prova de que é possível usar dinheiro público para inovar em Portugal. A adesão tem sido total, mas a inauguração passou praticamente ao lado da informação nacional.

Alunos do Externato Adventista entregam alimentos recolhidos à CASA, apoio a sem-abrigo

No dia 30 de outubro, o Externato Adventista assinalou o Dia do Pão por Deus com a entrega à CASA, o Centro de Apoio ao Sem Abrigo, dos bens alimentares que reuniu. A recolha decorreu entre 26 e 30 de outubro e envolveu as famílias, as crianças do Pré-Escolar e os alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Os géneros destinam-se a apoiar o trabalho da instituição junto de pessoas em situação de sem-abrigo e de famílias vulneráveis. As crianças participaram na entrega dos donativos, numa experiência com que a escola quis promover a partilha, a entreajuda e a atenção ao próximo.

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