Arquiteto português ganha prémio de 50.000 euros por reabilitar aldeias rurais despovoadas
Fernando Cerqueira Barros, arquiteto natural de Arcos de Valdevez, venceu o Prémio Rafael Manzano de Nova Arquitetura Tradicional 2026, no valor de 50.000 euros. A Fundação Culturas Construtivas Tradicionais, sediada em Madrid e promotora do galardão, distinguiu o trabalho de reabilitação de aldeias afetadas pela desertificação. Os projetos envolvem os habitantes e os mestres artesãos locais e recorrem aos materiais e às técnicas tradicionais de cada região. Entre eles está o Mosteiro de São João de Cabanas, em Afife, de origem medieval e transformado em hotel, que recebeu o Prémio Nacional de Arquitetura Espaço 2025. O prémio será entregue a 12 de novembro, em Madrid. Doutorando na Universidade do Porto, é também membro de uma cátedra da UNESCO dedicada ao património e às paisagens.
Jogo de tabuleiro em Lisboa serve de ponto de partida para debater alternativas ao mercado da habitação
No dia 31 de outubro, Dia Mundial das Cidades, a LupLab e a Junta de Freguesia de Arroios promoveram no Mercado do Forno do Tijolo, em Lisboa, uma sessão que começou com um jogo de tabuleiro sobre habitação. Os jogadores, no papel de promotores, descobrem que muitas vezes compensa esperar que os vizinhos construam, mesmo à custa da produção de casas. Seguiu-se uma mesa-redonda sobre como devolver à comunidade parte do valor criado pelo investimento público, relançar as cooperativas de habitação e criar um terceiro setor com rendas calculadas pelos custos. Foi citado um estudo segundo o qual, mesmo com um milhão de casas a mais desde 2010, os preços em Lisboa seriam só 3% a 7% mais baixos.
Só um terço das 723 mil casas vagas em Portugal poderia voltar ao mercado sem obras
Os Censos de 2021 contabilizaram 723 mil habitações vagas em Portugal, 12% do parque habitacional. Destas, 348 mil estavam já à venda ou para arrendamento e 127 mil precisavam de reparações médias ou profundas. Sobram 249 mil casas, 4% do total, em boas condições mas fora do mercado. Muitos destes imóveis situam-se no interior, onde a procura é fraca, enquanto a pressão se concentra nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, e alguns estão vazios apenas temporariamente. A conclusão é que mobilizar casas existentes pode atenuar a escassez, mas dificilmente basta, sendo preciso construir mais onde a procura é maior, com menos entraves ao licenciamento e ao investimento.
Vila Real de Santo António devolve 320 casas sociais renovadas e faltam 52
Das 372 habitações abrangidas pelo programa de requalificação do parque social de Vila Real de Santo António, 320 já foram recuperadas e devolvidas às famílias, cerca de 86% da execução. As restantes 52 estão na fase final das obras. O investimento de 50,3 milhões de euros, financiado pelo PRR e pelo programa 1.º Direito, abrange todos os bairros sociais das três freguesias e ainda habitações dispersas. Os trabalhos incluem reparações estruturais, melhor isolamento térmico e acústico, impermeabilização das coberturas e renovação das redes de água, eletricidade, telecomunicações e saneamento, com uma melhoria mínima de 10% no desempenho térmico. A Câmara descreve-a como a maior operação deste tipo alguma vez realizada no concelho.
Câmara de Portalegre admite que falta de habitação persiste, com 90 candidaturas a dez casas
A presidente da Câmara de Portalegre, Fermelinda Carvalho, reconheceu que a habitação continua por resolver na cidade, onde o município tem cerca de 470 casas. Um concurso recente para dez habitações municipais recebeu cerca de 90 candidaturas, parte delas excluída por exceder os limites de rendimento. A primeira fase da Estratégia Local de Habitação abrange 108 fogos, sobretudo nos bairros dos Assentos e do Atalaião, e foram aprovadas mais duas fases. As obras atrasam-se por falta de empreiteiros, com vários concursos desertos, e porque a Câmara só é proprietária de algumas frações em prédios parcialmente ocupados. Seguem-se um novo concurso, arrendamento jovem em imóveis da Rua do Comércio e o reajustamento de casas desadequadas aos moradores.
Obras nas 19 casas do bairro da cimenteira da Maceira continuam sem data de arranque
Mais de três anos depois de o Município de Leiria e a Secil assinarem o protocolo para reabilitar 19 casas no bairro da fábrica de cimentos Maceira-Liz, não há data para o início das obras. A câmara diz estar a ultimar a aprovação do projeto de execução e a preparar a contratação do projeto de mais uma habitação. Seguem-se a candidatura a financiamento do Centro 2030 e o concurso da empreitada. A autarquia sublinha que já foram cumpridas etapas prévias, como a formalização do direito de intervir em imóveis privados. O objetivo é criar arrendamento acessível, sobretudo para famílias jovens, e revitalizar o bairro.
Empresa privada compra complexo devoluto da antiga fábrica de lanifícios de Portalegre
Uma empresa privada comprou o complexo da antiga fábrica de lanifícios de Portalegre, devoluto há muitos anos, revelou a presidente da Câmara, Fermelinda Carvalho, numa reunião do executivo. O terreno ocupa cerca de 18 mil metros quadrados e estava à venda por 2,34 milhões de euros, mas desconhece-se o valor final do negócio. Os novos proprietários preparam um Pedido de Informação Prévia para apresentar à autarquia, que já reuniu duas vezes com eles. Fica assim afastada a hipótese, levantada por um vereador socialista, de o Município aproveitar o espaço para habitação. A Câmara trabalha ainda numa nova rotunda para melhorar os acessos à zona.
Protesto de mães no Rossio liga crise da habitação ao trabalho de cuidado
No último sábado de outubro, um grupo de mães fez um cordão em volta dos filhos, num protesto pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa. O texto de opinião lê a crise da habitação como uma crise de reprodução social: o trabalho de alimentar, alojar e educar quem vai trabalhar, durante décadas assumido pelas famílias e sobretudo pelas mulheres, tornou-se insuportável. O preço da habitação chegou aos 2.076 euros por metro quadrado em 2025, mais 16,8%, e as rendas subiram 5,1% em março de 2026. O pacote fiscal baixa o IRS dos senhorios de 25% para 10% e sobe a dedução dos inquilinos, mas uma simulação mostra um senhorio a ganhar quase sete vezes mais do que um casal inquilino. Um tribunal autorizou a tenda até 24 de novembro de 2026, data da votação final do Orçamento do Estado para 2027.